sábado, 2 de setembro de 2017

Se não puder falar bem de alguém, cale-se


A soma de todos os afetos


Todos nós temos a necessidade de desabafar sobre uma relação que não está indo bem ou sobre um mal-estar que nos afetou. Porém, é preciso fazer isso da maneira correta

Se existe algo que tenho aprendido com a idade e com o passar dos anos, é a arte de conviver. E olha que antes de aprender, a gente erra muito, erra feio. Porém, com o tempo e alguns enganos, vamos adquirindo um certo tipo de elegância e polidez que vão além da educação. É algo sutil, mas que faz muita diferença, e que começa com a capacidade de ouvir mais do que de falar, e principalmente de manter distância das rodas de fofoca.

Quando abro a boca para falar mal de alguém, minha energia se canaliza para a mesquinhez, para a arrogância, para o julgamento frívolo e fútil. Essa energia ruim permanece dentro de mim, e é com ela que irei me alimentar, trabalhar, descansar. E sem perceber desperdiço minha vitalidade, os dons que recebi de Deus, a possibilidade de usar a palavra para algo mais assertivo e produtivo.

A vida já é tão complicada, já nos esforçamos tanto para vencer cada dia… que se não pudermos ter bons pensamentos a favor das pessoas, é melhor silenciar. Silenciar é um gesto de sabedoria, de encontro com o que é realmente importante e deve ser levado adiante, de retomada do equilíbrio, de regeneração das mágoas e busca do bem-estar.

Ninguém sabe o que o futuro lhe reserva. E por mais clichê que seja, realmente “a vida dá voltas”, e pode ser que aquilo que você tanto recriminou e condenou na vida alheia, venha acontecer na sua própria vida.

Adoro a frase de Fernando Pessoa que diz: “Segue o teu destino, rega as tuas plantas, ama as tuas rosas. O resto é a sombra de árvores alheias”. Pois é assim que deve ser. Cuide da sua vida, lide com as suas dificuldades, apare seus defeitos, aprimore suas qualidades e cure suas mágoas ao invés de ciscar pela vida alheia, se incomodando com que o outro faz ou deixa de fazer. Limpe seus olhos antes de falar sobre o cisco nos olhos do outro.

Tanta coisa a ser feita em nossa casa antes de apontarmos a sujeira na casa do vizinho! Tantas possibilidades de nos aprimorarmos como seres humanos, como seres espirituais, praticando a caridade, a generosidade e a compaixão, que não deveria sobrar tempo para recriminações, julgamentos, hipocrisia e falatórios em nossa vida. Tudo isso é desorganização, é perda de foco, é se afastar daquilo que viemos fazer nesse mundo: amar e sermos amados.

Diariamente somos bombardeados com ondas de indignação coletiva, e somos tentados a reproduzir essa raiva, essa indignação, esse ressentimento. Porém, deveríamos nos proteger dessas mensagens de ódio e segregação. Deveríamos buscar um local de silêncio dentro de nós mesmos e novamente nos conectarmos com o que é importante, com o que nos liga a Deus, com o que vai acrescentar algo de bom em nossa vida.

Todos nós temos a necessidade de sermos ouvidos. De desabafarmos sobre uma relação que não está indo bem ou sobre um mal-estar que nos afetou. Porém, é preciso fazer isso da maneira correta, abrindo nosso coração para a pessoa certa, que irá nos ouvir com discrição e cuidado. Isso é diferente de fofocar, de julgar, de espalhar falatórios sem um pingo de responsabilidade.

Quase tudo na vida pode ser praticado e virar hábito. Assim como nos condicionamos a falar mal dos outros, aprendendo com os maus exemplos que tivemos vida afora, podemos recolher nossas cadeiras da calçada e começar a praticar o simples hábito de calar a boca. De não entrarmos em brigas alheias botando mais lenha na fogueira; de não cairmos em tentação murmurando contra os outros pelas costas; de não ocuparmos nosso precioso tempo nos divertindo com fofocas; de silenciar e só abrir nosso coração para quem confiamos.


Finalmente há um ditado que diz: “Não cuspa no prato que você comeu”. Então, antes de difamar alguém que já te fez feliz, que já foi importante para você, que já teve algum papel na sua vida, pare e pense. Se em algum momento houve uma parceria, uma conexão, até mesmo uma troca de favores, não é justo nem digno falar mal. É feio, deselegante, grosseiro e vulgar. E mesmo que você tenha saído ferido ou prejudicado, não torne pública a sua mágoa, a sua decepção, a sua raiva ou tristeza. Não mande indiretas pelas redes sociais e descubra que o silêncio pode ser a melhor resposta. Aprenda a arte de conviver e constate o quanto é elegante ser discreto.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Histórias que nos Inspiram - O que acontece quando um sacerdote “treina” um time de futebol?


ACI Digital


Os resultados são surpreendentes

Há pouco mais de um ano, o time de futebol chileno Everton adotou como parte de sua rotina a liturgia antes de cada partida. Assim, Pe. Marcelo Catril mostrou aos jogadores e membros da equipe técnica o melhor dos guias, também no esporte: Jesus.

Tudo começou em junho de 2016, com a aquisição de 80% das ações do Everton por parte do Grupo Pachuca, investidores mexicanos que costumam instalar capelas em seus estádios, assim como imagens da Virgem Maria.

Pe. Catril celebra uma liturgia 90 minutos antes de cada partida. O sacerdote, que se define como fã do Everton, é vigário paroquial da Assunção de Maria, no monte Achupallas de Viña del Mar, um lugar onde os moradores são fanáticos por futebol.

O sacerdote explicou ao Grupo ACI que conseguiu formar mais que um time: “Formamos comunidade e hoje posso dizer que Deus está em suas vidas”.

“É uma história muito linda. Por que não abençoá-los e rezar com eles se o mundo os segue, por que não estar ali, na primeira linha com eles? Eles também merecem estar com o maior dos treinadores, Jesus, que nos treina para a vida, é nosso preparador físico, técnico, espiritual, tudo”.
“Ele se preocupa com seus jogadores (fiéis), em um campo muito duro, como é o mundo, e assim nós também temos que nos preparar espiritualmente para a partida de nossas vidas, onde o êxito não está em fazer gols, mas em sermos felizes”, refletiu o sacerdote.

Pe. Catril reveza com Pe. Rafael Osorio para celebrar as liturgias com os jogadores, treinadores e administradores. Todos estão convidados. Nelas, leem as Escrituras, rezam pelas intenções dos jogadores, suas famílias e também pelo time rival.

“Eu os escuto em sua dor, porque eles se privam de muitas coisas. Têm histórias de esforço, difíceis. Por exemplo, crescer em família não é fácil devido à solidão das esposas pelos longos períodos de treinamento ou, como a carreira de futebol é curta, começam a se perguntar o que vão fazer quando terminar a carreira e se houver frustração”.

“Digo-lhes que a sua vida é essa (o futebol), então é necessário dar o melhor de si, porque estão tornando realidade a sua vida de santidade nestas coisas. Destacam valores como o da perseverança, da disciplina, da fortaleza, da paz, da liberdade, de fazer bem as coisas e, se as fizerem bem, ganharão, é um tema de valorizar-se pessoalmente. Esse é o primeiro passo”, explicou.

Pe. Marcelo Catril, que também é capelão da Pastoral de Circos, manifestou que “devemos estar onde as pessoas estão” levando “afeto, colaboração e evangelização”. Ambos os trabalhos são um espetáculo “transversal para todo o público”.

Entre as atividades pastorais realizadas com a equipe “ouro e céu”, assim chamada devido às cores da sua insígnia, estão a bênção das casas, a celebração de batizados e matrimônios e o acompanhamento espiritual.


Atualmente, o time Everton está em um dos primeiros lugares do campeonato nacional de futebol.

Talco para bebês da Johnson & Johnson é associado a casos de câncer


Jaime Septién


Júri de Los Angeles determinou que a J&J deverá pagar 417 milhões de dólares a mulher com câncer de ovário após usar um talco da empresa durante mais de 50 anos

Um júri de Los Angeles, nos Estados Unidos, determinou que a empresa Johnson & Johnson (J&J) deverá pagar 417 milhões de dólares a Eva Echeverria, de 63 anos, que teria contraído um câncer de ovário depois de usar durante mais de 50 anos um talco para bebês comercializado pela empresa. A paciente, cujo tumor foi diagnosticado em 2007, está com a doença em fase terminal.

Segundo o canal norte-americano Univisión, a compensação financeira “é a maior que a companhia de produtos higiênicos já teve de pagar em processos que vinculam o talco ao câncer de ovário”.

Sim, porque não é o primeiro processo que a multinacional enfrenta pela mesma razão ou por razões parecidas. Só na Califórnia há mais de 300 demandas pendentes. Nos Estados Unidos como um todo já são mais de 4.500 litígios contra a empresa por conta de doenças que teriam relação com os seus produtos Johnson’s Baby Powder e Shower to Shower.

As acusações consideram que a empresa sabia ou devia saber dos riscos associados aos componentes do produto, até porque a Coalizão de Prevenção ao Câncer a notificou em 1994 sobre estudos que concluíam que o uso de talco na área genital “envolvia alto risco de câncer de ovário”.

No caso de Eva Echeverria, o talco para bebês da Johnson & Johnson foi usado desde que ela tinha 11 anos de idade e se estendeu durante cinco décadas. Ela parou de usá-lo em 2016 por causa de notícias a respeito de outra mulher que dizia ter contraído câncer de ovário devido a esse mesmo talco.

No processo, argumenta-se que se a Johnson & Johnson tivesse publicado uma advertência de risco nas embalagens do produto, Eva teria deixado de usá-lo muito antes.

O júri considerou objetiva a conexão entre o câncer de ovário e o uso do talco, mas a Johnson & Johnson, que no ano passado teve lucro de 16,5 bilhões de dólares, anunciou que vai recorrer. A empresa alega que “existem evidências científicas de que o talco da companhia é seguro”.

Em maio deste ano, um júri em Saint Luis, no Missouri, também condenou a companhia a pagar 110,5 milhões de dólares a uma mulher que, depois de usar o produto durante 40 anos, teve um câncer de ovário diagnosticado em 2012. No ano passado, outras três mulheres ganharam processos similares, cujas compensações foram de 72, 70 e 55 milhões de dólares. No entanto, outros tribunais rejeitaram casos semelhantes afirmando que os demandantes não conseguiram comprovar que o talco fosse um produto cancerígeno.

Até agora, a J&J foi declarada culpada em cinco casos, cujas indenizações somaram 720 milhões de dólares, mas foi inocentada em um processo julgado em março deste ano.

A empresa se ampara num estudo do Instituto do Câncer dos Estados Unidos que afirma que “as provas apresentadas não confirmam correlação entre uma exposição ao talco na área do períneo e um risco maior de câncer de ovários”.


O porta-voz da J&J afirmou: “Estamos preparados para outros julgamentos nos Estados Unidos e continuaremos defendendo a segurança do talco para bebês”.

A Virgem Maria sentiu dor durante o nascimento do Senhor, sendo ela imaculada?

Se você não conta ao seu marido o que te incomoda, como ele saberá?

ZYTA RUDZKA


Muitas mulheres sentem-se sozinhas em seu casamento porque não sabem como dizer aos seus maridos o que está errado

Você já se irritou com seu marido, mas decidiu manter tudo guardado dentro de você?

Talvez você não quisesse começar uma discussão ou colocar ainda mais distância entre vocês dois. Ou você estava com medo de que, se dissesse alguma coisa, ele apenas tentaria justificar, até mesmo fazendo observações prejudiciais. Talvez você tenha ficado em silêncio porque foi assim que você foi educada. Você queria que ele se sentisse bem consigo mesmo. Você acha que precisa proteger o ego masculino dele.

Conheço muitas histórias de mulheres que sofreram em seus casamentos por anos. E, por anos, fecharam os olhos, engoliram a raiva e ficaram com os sentimentos feridos, ou por causa das crianças, ou porque ficavam esperando que o marido abrisse os olhos e percebesse, ou porque eles tinham muitas coisas para fazer. E durante todo esse tempo seus casamentos não eram o que elas queriam que fossem.

Aqui está a questão: é melhor dizer algo do que esperar que ele descubra isso e faça mudanças por conta própria. Ele não vai descobrir. Uma parceria em um casamento não significa que você precisa manter artificialmente uma atmosfera agradável ou que você tenha que forçar mudanças na outra pessoa – que pode não saber como mudar ou mesmo se quer mudar.

Talvez ele grite com as crianças por causa do estresse no trabalho, ou ele se feche em sua dor depois de perder o pai. Sua barriga grande e o hábito de ficar na frente da TV nem sempre significam preguiça. Isso pode significar que ele tem dificuldades em lidar com alguns sentimentos e que ele os suprime ao invés de lidar com eles.

Você não está lá para agradá-lo. Então, ao invés de ser uma “boa esposa”, seja você mesmo. Vocês dois se beneficiarão.

O silêncio é o irmão do desamparo, cria uma armadilha nos sentimentos desagradáveis das pessoas. Talvez você veja o seu marido como alguém que a deixa cansada ou que faz você se sentir feia e mal-humorada. De repente, não há energia suficiente, novidade e flerte em seu relacionamento. As coisas que o aborreceram e que você nunca falou podem explodir durante uma grave crise, muitas vezes durante a terapia, ou mesmo na sala do tribunal.

Às vezes é tarde demais, porque a soma total desses pequenos momentos de silêncio é muito grande. Torna-se um grande silêncio e, então, você simplesmente não quer falar nada. É por isso que é bom parar e resolver problemas quando eles surgem, não depois de terem acumulado ao longo dos anos.

A verdade pode ser difícil. A honestidade que vem do fundo do coração precisa ser trazida e apresentada de uma maneira que o outro possa aceitar. A coragem de falar sobre coisas difíceis pode construir a proximidade e a confiança. Não ameace. Não humilhe. Não zombe. Você não quer machucá-lo ou causar dor.

Se você é desagradável, você irá desencorajar mais do que motivar seu parceiro. Uma voz ligeiramente elevada, uma impaciência sarcástica e um tom de voz ditatorial são sinais pobres de sua força. Eles apenas mostram uma falta de sensibilidade.

Fale o que está te incomodando sem ser desagradável. O objetivo não é criar uma cena, mas simplesmente falar. Veja que, por trás desses comportamentos irritantes, há uma sensação de tristeza, um desânimo. Que talvez ele tenha os mesmos pensamentos dolorosos que você, e também não sabe mostrar isso. Ele também pode estar bloqueado.

Quando você simplesmente desiste de falar, a frustração prolongada não desaparecerá. Haverá outra e irá se somar às anteriores, e vocês se afastarão cada vez mais um do outro.

Quando você sente falta dessas poucas palavras sinceras, faladas em um contexto seguro, pode ser difícil lidar com isso mais tarde. Você pode acabar sentindo que algo se desfez ou que ambos se retiraram em suas próprias decepções pessoais.

Agora é a hora de cuidar de todos esses sentimentos separados de forma consciente e madura, na forma de uma conversa, não como um monólogo de um lado e silêncio do outro. Ou como duas vítimas silenciosas do destino.

Você pode começar a reconstruir seu casamento, mesmo depois de muitos anos juntos. Mas, desta vez, que haja espaço para vocês dois, para que ambos se sintam bem juntos. Para isso, você não precisa de muitas palavras nem de conversas profundas. A bondade simples é suficiente.

Quando você sente que não sabe como começar e nem como alcançá-lo, você pode começar perguntando o que o incomoda.

Sabe-se que o amor é cego, mas o casamento restaura sua visão. Isso é verdade para mulheres e homens

Está em dificuldades? Invoque Maria!


Aleteia Brasil


Conselhos filiais de São Bernardo de Claraval

O texto a seguir é de um dos santos católicos mais fervorosamente devotos a Nossa Senhora: São Bernardo de Claraval. É especialmente motivador para os momentos de dificuldade de todo tipo.

E o nome da Virgem era Maria (Lc. 1, 27). Falemos um pouco deste nome que significa, segundo se diz, Estrela do Mar, e que convém maravilhosamente à Virgem Mãe. …. Ela é verdadeiramente esta esplêndida estrela que devia se levantar sobre a imensidade do mar, toda brilhante por seus méritos, radiante por seus exemplos.

Ó tu, quem quer que sejas, que te sentes longe da terra firme, arrastado pelas ondas deste mundo, no meio das borrascas e tempestades, se não queres soçobrar, não tires os olhos da luz desta estrela.

Se o vento das tentações se levanta, se o escolho das tribulações se interpõe em teu caminho, olha a estrela, invoca Maria.

Se és balouçado pelas vagas do orgulho, da ambição, da maledicência, da inveja, olha a estrela, invoca Maria.

Se a cólera, a avareza, os desejos impuros sacodem a frágil embarcação de tua alma, levanta os olhos para Maria.

Se, perturbado pela lembrança da enormidade de teus crimes, confuso à vista das torpezas de tua consciência, aterrorizado pelo medo do Juízo, começas a te deixar arrastar pelo turbilhão da tristeza, a despenhar no abismo do desespero, pensa em Maria.

Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria.

Que seu nome nunca se afaste de teus lábios, jamais abandone teu coração; e para alcançar o socorro da intercessão dela, não negligencies os exemplos de sua vida.

Seguindo-A, não te transviarás; rezando a ela, não desesperarás; pensando nela, evitarás todo erro.

Se ela te sustenta, não cairás; se ela te protege, nada terás a temer; se ela te conduz, não te cansarás; se ela te é favorável, alcançarás o fim.


E assim verificarás, por tua própria experiência, com quanta razão foi dito: “E o nome da Virgem era Maria“.

São Bernardo de Claraval, em Louvores da Virgem Maria, Super missus, 2ª homilia

Sou um padre casado – e acho que os padres não devem se casar

Ele é pai de família e padre católico ao mesmo tempo. Mas que história é essa?


Este artigo foi publicado no dia 21 de março pelo site Dallas Morning News


Minha esposa e eu, temos quatro filhos, todos menores do que 7. A nossa não é uma casa tranquila.

Uma casa de gritos e uma casa de anca infinita, também é uma casa de amor, crescida e multiplicada a cada poucos anos. Em uma casa de pouco sono, meu hobby hoje em dia é simplesmente sentar-se; pais companheiros sabem o que quero dizer. Assim como a família Kelly, ruidosa e linda, acabou virando a Coréia do Sul recentemente, a nossa é uma família perfeitamente normal, "normal" entendeu, é claro, em termos relativos. É desgastante e energizante, e eu não o troco por nada. É a forma e o presente da minha vida, minha família.

Mas aqui está o que é estranho sobre nós: sou sacerdote católico. E, como você provavelmente sabe, principalmente uma espécie de celibato.

Agora, a disciplina do celibato, como prática cristã, é uma tradição antiga. Suas origens pertencem à própria névoa do cristianismo primitivo: aos desertos do monaquismo egípcio, aos selvagens da antiga Síria cristã e ao evangelho de Lucas. Para padres, celibato tem sido a norma legal universal no Ocidente Católica desde o 12 º século e a norma de facto muito antes disso. São Ambrósio, no século IV, por exemplo, escreveu sobre sacerdotes casados, dizendo que só deveriam ser encontrados em igrejas "rematadas", certamente não nas igrejas de Roma ou Milão.

No entanto, sempre houve, por boas razões, exceções feitas, em particular por causa da unidade cristã. As igrejas católicas orientais, por exemplo, muitas com padres casados, desde o início da modernidade floresceram na Igreja Católica. Likewise para mim, um converso do anglicanismo. Eu posso ser um sacerdote católico por causa da Prestação Pastoral de São João Paulo II, que foi estabelecida no início dos anos 80. Esta disposição permite que homens como eu, principalmente convertidos do anglicanismo, sejam sacerdotes ordenados, só depois de receber uma dispensa do celibato do próprio Papa. 

O Ordinariado da Presidência de São Pedro nos Estados Unidos, estabelecido pelo Papa Bento XVI para fornecer um caminho para que as comunidades anglicanas se tornem católicas romanas, é outro exemplo da Igreja fazendo uma exceção, permitindo que as mesmas dispensações do celibato sejam concedidas aos sacerdotes.
Mas estas são exceções feitas, como eu disse, por causa da unidade cristã, por causa da oração final de Jesus para que seus discípulos sejam "um". Eles não indicam mudanças na antiga disciplina da Igreja Católica do celibato clerical.

Agora você pode se surpreender ao saber que a maioria dos padres católicos casados ​​são defensores firmes do celibato clerical. Eu, por um lado, não acho que a Igreja deve mudar sua disciplina aqui. Na verdade, acho que seria uma má idéia. O que me leva à minha bête noire particular sobre o assunto.

Eu percebi que eu sou uma exibição de zoológico eclesiástico. No meu caminho para celebrar a Missa em São Pedro em Roma alguns anos atrás, totalmente adquirida em minhas vestes sacerdotais, tive que empurrar meu menino no carrinho através daquela antiga basílica enquanto nos dirigíamos para o altar. Ele tinha uma perna quebrada, e Alli teve as outras crianças para gerenciar; e então, eu estava empurrando o garoto e a bolsa pela boca de turistas de São Pedro e os olhos arregalados agape na vista. É realmente uma visão, uma vida fora da norma.

Mesmo na minha própria paróquia, os visitantes às vezes tímidamente se adiante com perguntas curiosas e preocupadas. "São aqueles seus filhos?" eles vão perguntar em tons sussurrados como se fosse algo escandaloso, como meus miúdos se esconder debaixo de minhas roupas como se fosse algo normal. Uma exibição de zoológico como eu disse, mas estou feliz em falar sobre isso, não é um problema. É só nós: Pe. Whitfield, Alli e todas as crianças. Uma família católica perfeitamente moderna, perfeitamente moderna e alegre. Mas além do espetáculo adorável, eles são os pressupostos que se seguem que me frustraram.

Eles são muito poucos, é claro, que se recusam a me aceitar. Os tradicionalistas idiossincráticos endurecidos que pensam que sabem melhor do que a própria tradição, por vezes, chamam de heresia. Isso, é claro, é bobagem; para o qual, quando tais críticas raras me alcançam, sempre as convido simplesmente a levantar isso com o papa. Ele é o único com quem eles devem discutir, não eu.

Na maioria das vezes, no entanto, as pessoas me vêem como uma espécie de agente de mudança, o fim fino de uma cunha, um presságio de uma igreja mais moderna e mais moderna. Sendo um padre casado, eles assumem que eu sou a favor da abertura do sacerdócio aos homens casados, em favor também de todas as outras mudanças e inovações. Isso também é uma suposição, e não uma boa.

Os leigos que não têm idéia real do que o sacerdócio implica e até alguns sacerdotes que não têm uma idéia real do que a vida de família casada tanto assumem como normalizar o sacerdócio casado trariam uma idade nova e melhor para a Igreja Católica. Mas é uma hipótese com pouca evidência de apoio. É preciso apenas olhar para a escassez de clérigos em muitas igrejas protestantes para ver que a abertura das fileiras clericais não implica necessariamente renascimento ou crescimento espiritual, o oposto é tão provável.

Mas, mais importante ainda, as chamadas para mudar a disciplina do celibato geralmente são ignorantes ou esquecidas do que a igreja chama de "fruto espiritual" do celibato, algo incompreensível nesta era libertina, mas que, no entanto, é ainda verdade e essencial para o trabalho de a Igreja. Agora, casar certamente ajuda meu sacerdócio, as idéias e as simpatias adquiridas tanto como marido e pai são por vezes vantagens genuínas. Mas isso não põe em causa o bem do celibato clerical ou o que meus colegas celibatários trazem para o ministério. E, em qualquer caso, é a santidade mais importante, não casamento ou celibato.

Mas, além de responder a todos esses argumentos dispersos, o que é negligenciado são as razões reais pelas quais pessoas como eu se tornaram católicas em primeiro lugar, bem como a verdadeira razão pela qual a Igreja Católica às vezes permite que os homens casados ​​sejam ordenados. E essa é a unidade cristã, para dizê-lo novamente.

Quando você vê um padre casado, pense nos sacrifícios que ele fez para o que ele acredita ser a verdade. Pense na unidade cristã, não na mudança. Isso é o que eu gostaria que as pessoas pensassem quando eles me veem e minha família. Nós nos tornamos católicos porque minha esposa e eu acreditamos que o catolicismo é a verdade, a plenitude do cristianismo. E nós respondemos a essa verdade, o que significava (como um sacerdote episcopal na época) abandonando meu sustento e quase tudo o que sabia. E assim como minha esposa estava grávida do nosso primeiro filho.

Porque a Igreja Católica acredita que os cristãos devem estar unidos, às vezes faz exceções próprias, mesmo antigas, disciplinas e normas, no meu caso de celibato. Minha família e eu não somos sujeitos de teste em algum tipo de julgamento executado pelo Vaticano para ver se o sacerdócio casado funciona. Em vez disso, somos testemunhas da empatia da igreja e do desejo de unidade. Isso é o que nos casamos com os sacerdotes que desejam que as pessoas vejam, o catolicismo em que nos apaixonamos e fizemos sacrifícios.

E é uma vida sacrificial, uma vida toda minha vida, provavelmente minha esposa. Nunca fomos mais ocupados, nunca mais esgotados, mas também nunca fomos mais felizes. Até meus filhos fazem sacrifícios todos os dias para a igreja. Às vezes é difícil, mas nós o fazemos e com alegria; uma, porque temos uma ótima paróquia que a obtem, e duas, porque estamos numa igreja em que amamos e acreditamos, não uma igreja que queremos mudar.

E essa é a coisa: eu amo a igreja. Nós casados ​​com os sacerdotes amamos a igreja, nossas famílias amam a igreja. É por isso que fizemos tais sacrifícios para se tornarem católicos. E é por isso que nós amamos a tradição do celibato clerical e não vejo nenhum conflito com isso e nosso servir como sacerdotes casados. Como disse Tomás de Aquino, a igreja é circumdata variada , cercada por variedade, uma variedade ligada pela caridade e pela verdade que apenas os fiéis podem ver claramente.

Os comentários recentes do papa Francis na Alemanha sobre a perspectiva de permitir que homens católicos casados ​​se tornem sacerdotes não nos incomodem. Porque o entendemos e nós pertencemos a ele nesta tradição de caridade e verdade. Este é o misticismo necessário, o misticismo sem o qual não pode ser entendido, e a mistica que muitos especialistas sobre este assunto não conhecem.

E também é por isso que a igreja pode mudar sua disciplina amanhã, contradizendo tudo o que acabei de escrever e não importa. Por mais uma vez, adoro a igreja e aprecio o seu raciocínio mais profundo. Eu não julgo a igreja à luz da opinião popular ou até mesmo minhas próprias opiniões, mas sim eu julgo a opinião popular, bem como a minha própria, pela luz do ensino da igreja. Ou seja, dou à Igreja a minha obediência, essa velha virtude injuriada, uma virtude difícil de entender nos dias de hoje. No entanto, é o único para pensar sobre as coisas da igreja.

Então somos nós, a família Whitfield: ruidosa, linda, católica e complexa. E vá em frente e lance colunista de jornal lá também, isso também não é normal. No entanto, de alguma forma tudo funciona, e temos fé de que de alguma forma continuará funcionando. Isso é tão sensato quanto eu posso colocar na minha vida, pelo menos tanto quanto eu poderia fazer com isso. Mas na verdade, cabe à igreja fazer sentido, não eu.

Meu trabalho simplesmente é ser eu, um pai, um marido, um sacerdote e o fiel como posso ser. E nisso, eu falo e sucede todos os dias, mais vezes do que posso contar. Assim como você.


Joshua J. Whitfield é administrador pastoral da comunidade católica St. Rita em Dallas e freqüente colunista da The Dallas Morning News. E-mail:  jwhitfield@stritaparish.net