domingo, 3 de setembro de 2017
O carinho das mãos calejadas do meu pai
Revista Pazes

Aprendi que as dores
são fornos cujo calor consolida a nossa disposição interior
Nos olhos da infância,
a dimensão tanto da dor quanto da alegria tem proporções gigantescas. O que nem
desconfiamos é que esses gigantes ficarão tatuados em nossos olhos para sempre
e muito dirão daquilo que, em essência, seremos.
O meu pai, durante boa
parte de sua vida, trabalhou com barro, formas e fornos, forjando tijolos para
a construção de mundos alheios e provendo o pão de cada dia nosso. Morávamos no
interior de Goiás. Ele acordava sempre às quatro da manhã e se dirigia ao
trabalho, passando, antes, na casa de meus avós, onde a vó Bernardina já teria
deixado prontos o seu café e, em regra, o seu bolo frio de polvilho, quentinho,
feitos naquela hora.
Meu pai seguia ao
trabalho e amassava o barro. Colocava esse barro em pequenas formas e em
seguida o desenformava, colocando-o para secar. Sempre sob o sol escaldante.
Sempre banhado de suor. Após seco, o barro formatado era empilhado em fornalhas
imensas e recebia calores exaustivos do fogo, para que se consolidasse. Algumas
vezes fui ao trabalho dele, quando menina. Era uma aventura… e eu achava o
máximo quando ele me permitia virar algum tijolo, de sorte que ele pudesse
tomar sol dos dois lados.
O que ele ganhava era
pouco. Minha mãe fazia trabalhos de crochê para complementar a renda. Eram
trabalhos tão bonitos e tão bem feitos, que me cortava o coração quando os
vendia.
Não raro o meu pai saía
do trabalho e chegava em casa sujo e cansado, tomava um rápido banho e brincava
comigo e com o meu irmão. Brincadeiras de menino: finca, bola de gude. No final
da noite, nos deitávamos para ouvir o rádio de pilha, momento em que
brincávamos de acertar qual a próxima música da programação da emissora. Daí, muitas
vezes, se dava a surpresa. Ele geralmente passava na rádio e deixava registrado
músicas dedicadas à família toda. Ouvir o nosso nome na rádio recebendo música
era a glória maior.
Era uma vida
contrastada de dor e ternura, onde eu fingia não perceber o sacrifício do meu
pai e a frustração silenciosa da minha mãe, por não poder nos ofertar o que
gostaria.
Mas os pais são sempre
desprovidos de bom senso e doam-nos mais do que pensam ter doado; ofertam-nos
mais do que julgam ofertar.
Penso que o ofício do
meu pai foi sempre o mais bonito de todos. Talvez até divino, posto que a
própria divindade, conforme a crença judaico-cristã, teria formatado o homem do
barro. Mas o que aprendi, observando o ofício do meu pai, é que a vida também
nos macera até o ponto de estarmos aptos à forma que a própria vida escolheu. E
que, uma vez formatados, sempre haverá em nós alguma ranhura, algum desalinho,
algum amassado que nos difere dos outros. Os tijolos nunca são exatamente
iguais. Alguns tijolos se quebram e se, enquanto expostos ao sol, tomam chuva,
derretem-se, desfazem-se e voltam à terra.
Aprendi que as dores
são fornos cujo calor consolida a nossa disposição interior. Aqueles que se
permitiram magoar pelos arranhões e os amassados poderão consolidar essa mágoa
na dor da fornalha do tempo. Mas aquele que sabe que as intempéries da vida nos
dão a oportunidade de sermos ímpares, que sabe mensurar a grandeza de ser
único, a alegria de ainda mostrar-se inteiro, esse faz consolidar a gratidão
por sua própria existência, ainda que esta seja por demais dolorida.
Importa é saber que, ao
final, o que nos vale no mundo é fazer parte dele. Não importa se se é um barro
mal macerado e pobre, um tijolo derretido na chuva, ou um outro seco, ou
queimado, ou quebrado a servir de caco em algum canto de um terreno baldio.
Importa que aqui estamos todos, reconstruindo-nos e recriando-nos a cada dia.
Inspira-me saber que o
meu pai, embora em contato direto com a aspereza da vida, detinha-se na
sutileza de dedicar-nos seu tempo e, não raro, uma música. Alguma fortuna no
mundo poderia legar-nos algo maior do que isso? Que a compreensão de que, mesmo
no chão árido e grosseiro de uma existência sofrida ainda possa florir, nas
frestas que entremeiam as dores, as mais surpreendentes delicadezas? Eu creio
que não. Escolhi as mãos calejadas do meu pai para acariciar o meu mundo
interior. Mãos sulcadas pela vida, cujas rachaduras guardam barro e dor, mas
que também tangenciam e entregam-nos, na agrura dos dias, as mais belas
melodias.
sábado, 2 de setembro de 2017
Quanto tempo permaneceu Maria no sepulcro?
Nada se sabe com
certeza. Também aqui faltam em absoluto os argumentos históricos e teológicos.
Contudo, deve ter sido
muito pouco tempo( não a vendo razão para uma longa espera, que mais parece
inconveniente). Uma velha tradição ̶ fundada no argumento de semelhança com a
morte de Cristo ̶ diz que foram três dias. Não existem, porem
provas concretas que a firmem.
Segundo Fr. Bernad, a
santíssima Virgem “apenas atravessou a morte, sem sofrer suas diminuições nem
seus golpes. Cristo, que deseja dar á sua mãe um brilho sem igual na
ressureição, teve a divina alegria de torna-la incorruptível, gloriosa, cheia
de força, arrebatando-a imediatamente – a morte, assim pois, pouco tempo após a
separação a alma de Maria foi reunido a seu corpo devolvendo-lhe a vida (...) e
o associando á sua Gloria.”
Do que morreu Maria?
Não parece que Nossa Senhora
tenha morrido de enfermidade, nem por acidente violente (Martírio). Assim,
termo da existência da beatíssima Virgem Maria se deveu á ‘força do divino amor
e ao veemente desejo e contemplação intensíssima das coisas celestial que
consumiam seu coração.”
Os anjos não
morrem ̶
comem um piedoso autor ̶ , porém
se dessem morrer, não poderiam desejar senão uma morte semelhante á de Maria.”
E outro ilustre teólogo
mariólogo escreve estas belas palavras: “ “Maria morreu sem dor, porque viveu
sem prazer; sem temor; porque viveu sem pecado; sem sentimento; porque viveu sem
apego terreno. Sua morte foi semelhante ao declinar de uma linda tarde, foi como
um doce e aprazível sono, era menos o fim de uma vida do que a aurora de uma
existência melhor. Para designá-la, a igreja encontrou uma palavra encantadora:
a chama sono ( ou dormição) da Virgem.”
Onde e com que idade morreu Maria?
Nada se sabe com
certeza acerca do lugar em que Maria morreu, Jerusalém e Éfeso disputam a honra de haver sido o cenário de sua morte.
Não existem, Porém, provas concretas a esse respeito.
Quanto a idade, “a
tradição nos diz que a Virgem Maria permaneceu longo tempo na terra depois da
ascensão de seu divino Filho, Cerca de Vinte e três anos , reunido, na vida
mais resignada e humilde , o tesouro de méritos cujo o prêmio havia de gozar.
“Chegando aos setenta e
dois anos, o anúncio de seu fim interrompeu o silêncio de sua existência...”
Dia da Criação: católicos e ortodoxos em defesa do ambiente e dos pobres

Rádio Vaticano

Foi publicada na manhã
de sexta-feira (01/09) a mensagem conjunta do Papa Francisco e do Patriarca
Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, para o Dia Mundial de Oração pela
Criação. Confira a íntegra:
“A narração da criação
oferece-nos uma visão panorâmica do mundo. A Sagrada Escritura revela que, «no
princípio», Deus designou a humanidade como cooperadora na guarda e proteção do
ambiente natural. Ao início, como lemos no Génesis (2, 5), «ainda não havia
arbusto algum pelos campos, nem sequer uma planta germinara ainda, porque o
Senhor Deus ainda não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para
a cultivar». A terra foi-nos confiada como dom sublime e como herança, cuja
responsabilidade todos compartilhamos até que, «no fim», todas as coisas no céu
e na terra sejam restauradas em Cristo (cf. Ef 1, 10). A dignidade e a
prosperidade humanas estão profundamente interligadas com a solicitude por toda
a criação.
Os efeitos do nosso
comportamento
«No período
intermédio», porém, a história do mundo apresenta uma situação muito diferente.
Revela-nos um cenário moralmente decadente, onde as nossas atitudes e
comportamentos para com a criação ofuscam a vocação de ser cooperadores de
Deus. A nossa tendência a romper os delicados e equilibrados ecossistemas do
mundo, o desejo insaciável de manipular e controlar os limitados recursos do
planeta, a avidez de retirar do mercado lucros ilimitados: tudo isto nos
alienou do desígnio original da criação. Deixamos de respeitar a natureza como
um dom compartilhado, considerando-a, ao invés, como posse privada. O nosso
relacionamento com a natureza já não é para a sustentar, mas para a subjugar a
fim de alimentar as nossas estruturas.
Pobres são os mais
impactados
As consequências desta
visão alternativa do mundo são trágicas e duradouras. O ambiente humano e o
ambiente natural estão a deteriorar-se conjuntamente, e esta deterioração do
planeta pesa sobre as pessoas mais vulneráveis. O impacto das mudanças climáticas
repercute-se, antes de mais nada, sobre aqueles que vivem pobremente em cada
ângulo do globo. O dever que temos de usar responsavelmente dos bens da terra
implica o reconhecimento e o respeito por cada pessoa e por todas as criaturas
vivas. O apelo e o desafio urgentes a cuidar da criação constituem um convite a
toda a humanidade para trabalhar por um desenvolvimento sustentável e integral.
Rezar para mudar o modo
de perceber o mundo
Por isso, unidos pela
mesma preocupação com a criação de Deus e reconhecendo que a terra é um bem
dado em comum, convidamos ardorosamente todas as pessoas de boa vontade a
dedicar, no dia 1 de setembro, um tempo de oração pelo ambiente. Nesta ocasião,
desejamos elevar uma ação de graças ao benévolo Criador pelo magnífico dom da
criação e comprometer-nos a cuidar dele e preservá-lo para o bem das gerações
futuras. Sabemos que, no fim de contas, é em vão que nos afadigamos, se o
Senhor não estiver ao nosso lado (cf. Sal 126/127), se a oração não estiver no
centro das nossas reflexões e celebrações. Na verdade, um dos objetivos da
nossa oração é mudar o modo como percebemos o mundo, para mudar a forma como
nos relacionamos com o mundo. O fim que nos propomos é ser audazes em abraçar,
nos nossos estilos de vida, uma maior simplicidade e solidariedade.
A quantos ocupam uma
posição de relevo em âmbito social, económico, político e cultural, dirigimos
um apelo urgente a prestar responsavelmente ouvidos ao grito da terra e a
cuidar das necessidades de quem está marginalizado, mas sobretudo a responder à
súplica de tanta gente e apoiar o consenso global para que seja sanada a
criação ferida. Estamos convencidos de que não poderá haver uma solução genuína
e duradoura para o desafio da crise ecológica e das mudanças climáticas, sem
uma resposta concertada e coletiva, sem uma responsabilidade compartilhada e
capaz de prestar contas do seu agir, sem dar prioridade à solidariedade e ao
serviço.
E se você me perguntar por que eu te amo, é isso que eu te diria
Proseando Poesia

Como você descreve a forma como a presença de alguém
em sua vida faz de você uma versão melhor de si mesmo? Eis aqui uma resposta
Alguém me perguntou uma vez por que eu te amo e eu
não conseguia entender as palavras para responder. Como você descreve a forma
como a presença de alguém em sua vida faz de você uma versão melhor de si
mesmo? Como você encontra palavras para dizer, em um mundo cheio de confusão e
caos, se a única coisa que faz sentido é uma pessoa?
Eu me apaixonei por você pelo jeito que você faz
canções para mim.
Eu te amo não só porque eu devo. Porque você conhece
meus segredos, que poucos ouvidos conseguem ouvir.
Eu te amo porque você sabe os meus medos, e fica
comigo para enfrentá-los.
Pelos sonhos em que você acredita, mesmo quando
tenho dúvidas.
Eu te amo porque você pode dizer com apenas um
olhar, que tipo de dia eu estou tendo.
Porque você consegue descrever com poucas palavras,
o que está acontecendo de errado na minha vida.
Eu te amo por aceitar cada falha, e construir as
minhas forças.
Eu te amo porque você me liga para saber como está o
meu dia.
Mas, eu amo a nossa capacidade de perdoar um ao
outro e sempre encontrar o nosso caminho de volta.
Eu te amo porque você me conhece melhor do que eu
mesmo.
Porque você está perto de mim, mesmo quando estamos
a milhas de distância.
Eu amo como podemos ir embora, mas ainda andarmos
juntos.
Porque você me respeita, e ao fazê-lo, você me
ensinou a me respeitar.
Eu te amo por cada risada, isso me faz sorrir com
lágrimas.
Porque você seca qualquer lágrima, e você nunca as
causou, em primeiro lugar.
Eu te amo porque você me faz sentir a mulher mais
linda que existe.
Por quão protetor você é para mim.
Eu amo o jeito que você me ama também.
Pela forma como nossos dedos se entrelaçam
perfeitamente.
Eu te amo por cada abraço e como você sempre me
abraça cada vez mais.
Ou como você sempre me deixa ser a primeira a me
afastar.
Eu te amo por cada capricho.
E por tudo que você acha como uma falha, mas eu vejo
como belo.
Porque você me entende, de maneiras que eu ainda não
me entendo.
Eu te amo por cada beijo, cada sorriso, por cada
risada, por toda memória, por tudo que você é, e tudo o que você me faz, para
melhor ou pior. Eu te amo sem saber por que ou como, tudo que eu sei é que eu
não quero parar.
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