quarta-feira, 21 de março de 2018

Ordenado o primeiro padre da história da tribo indígena brasileira baniwa


Por: Redação da Aleteia

pe Baniwa

Feito inédito é celebrado pelo povo de um dos mais isolados e extensos municípios de todo o Brasil, no coração da selva amazônica

No último sábado, 17 de março, foi ordenado o primeiro sacerdote do povo indígena baniwa (ou baníua, em grafia aportuguesada). É o pe. Geraldo Trindade Montenegro, conhecido, conforme a tradição local, também pelo nome da tribo: pe. Geraldo Baniwa. O bispo ordenante foi dom Edson Damian, da diocese amazônica de São Gabriel da Cachoeira.

Formado no Seminário Interdiocesano de Manaus, o agora sacerdote fez as suas práticas pastorais na Paróquia Nossa Senhora da Assunção, que oferece acompanhamento às comunidades do Rio Içana e Rio Ayarí, perto da fronteira com a Colômbia. Trata-se da região de origem do pe. Geraldo, nascido na comunidade de Araripirá Cachoeira.

Enfatizando que um padre deve respeitar a comunidade e não ser “aquele que decide e manda”, o novo sacerdote afirma:

“Ser padre, receber o Sacramento da Ordem, é se tornar presença de Jesus no mundo cotidiano”.

O pe. Geraldo vai assumir a paróquia da sua comunidade de nascimento, em meio aos seus parentes, e quer ser ali “presença plena de Deus“, conforme declarou no final da sua ordenação.

São Gabriel da Cachoeira fica na fronteira entre Brasil, Colômbia e Venezuela. É a diocese com a maior porcentagem de população indígena em todo o país, superando 90%. O município é um dos maiores do Brasil em extensão territorial, com 293.000 quilômetros quadrados. Vivem nele 23 povos indígenas que falam 18 línguas diferentes – e as três principais dentre elas, em um caso inédito na federação brasileira, têm status de idiomas oficiais ao lado do português: as línguas baniwa, tukano e nheengatu (a título de curiosidade cultural, o nheengatu é a versão remanescente do tupi antigo, sendo por isso também chamado, ainda que imprecisamente, de tupi moderno).

Evangelho e culturas autóctones
O anúncio do Evangelho deve responder às realidades locais, como recorda o Magistério da Igreja, e, na Amazônia, a diversidade de povos, línguas, culturas e realidades sociais aumenta os desafios pastorais. Nesse contexto, o protagonismo dos agentes locais ganha importância singular.

Os leigos e leigas, religiosas e religiosos e os padres da região, que conhecem a realidade local, têm em tese maior facilidade para se adaptar à vida das comunidades. O povo baniwa está profundamente esperançoso diante do futuro, pois seu novo padre fala a sua língua, está identificado com a sua cultura e pretende inculturar o Evangelho numa realidade que sempre fez parte da sua vida. Muitos catequistas locais consideram que ter um pároco indígena é um aspecto que reforçará decisivamente o trabalho missionário, hoje e no futuro.

terça-feira, 20 de março de 2018

Por que o chocolate é um símbolo apropriado para a Páscoa?


Por: Fr Joshan Rodrigues

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Quem me conhece sabe que eu tenho o paladar voltado para os doces – e ainda mais afinado para o chocolate. Costumo dizer: “traga-me uma barra de chocolate e você conquistará a minha confiança”.

Para mim, uma das muitas bênçãos de viajar sempre pela Europa é estar num continente que leva a sério o chocolate.

É por isso que eu fiquei agradavelmente chocado quando encontrei um belo artigo de Sara Maitland no The Tablet. No texto, ela faz uma dissecção espiritual do chocolate como eu nunca tinha lido antes. Eu devo agradecê-la por combinar duas coisas que eu amo muito: chocolate e catolicismo.

Pois bem, quando chega a Páscoa, a gente sempre encontra lojas abastecidas com ovos e coelhos de chocolate de diferentes tamanhos. E quando observamos como o chocolate é feito, lembramos o verdadeiro significado da data.

“Na Páscoa, Deus nos dá seu maior presente e, portanto, celebrar essa alegria com o chocolate é totalmente apropriado. O chocolate é fruto da terra e do trabalho das mãos humanas. A transformação do cacau natural em chocolate comestível é um processo complicado e laborioso, que envolve fermentação, secagem, limpeza, torrefação, moagem e aquecimento.”- Sara Maitland, The Tablet (22 de abril de 2017)

O processo de produção do chocolate, portanto, nos lembra o suor e as lágrimas de Jesus durante sua paixão e morte. Uma semente deve cair na terra e morrer antes que ela produza seus frutos. É o mesmo com a semente de cacau.

Já reparou como a Páscoa altera nosso humor. Nós fomos discretos, introspectivos e arrependidos durante a Quaresma. Mas, na Páscoa, nossa alegria explode ao receber a Boa Nova da vitória do nosso Salvador sobre o pecado e a morte. O chocolate também melhora nosso humor. Não me deixe lembrar de todos aqueles momentos em que você devorou uma barra de chocolate naqueles momentos emocionais difíceis! Sim, eu também já fiz isso…Ele levanta nossos espíritos e nos faz sentir bem; tira parte da dor e nos traz conforto …

Além disso, o chocolate é excepcionalmente “moldável” – pode ganhar muitas formas e sabores diferentes. Como a graça viva de Deus derramada em nossos corações, ele pode ser “diferente” para cada pessoa. Existem formatos e sabores para crianças e adultos mais sofisticados. Essa adaptação individual às necessidade e desejos mostra como Deus age de maneira diferente em cada um de nós. Ele é generoso e sensível. Não existe uma fórmula rígida para todos.

O cacau bruto é extremamente amargo, como o vinagre que ofereceram a Jesus na Cruz. É somente através de um longo e laborioso processo que se torna doce. O grão deve ser recolhido (preso), seco, descascado e moído (flagelado e crucificado), fermentado (colocado na sepultura) e, depois, transformado em doçura e alegria (ressurreição).

É por isso que o chocolate é um símbolo apropriado para a Páscoa. Então, da próxima vez que você quiser um pedaço de chocolate, não se sinta culpado. Lembre-se do grande amor que Deus tem para você. “Oh, provai e vede como o Senhor é bom”.

Ou, como diz a famosa frase de Forrest Gump, “A vida é uma caixa de chocolates”.

P.S.: Sim, este artigo foi escrito no momento em que eu estava sob o efeito de chocolate.

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