terça-feira, 1 de outubro de 2019

Parte 18 - Católicos que não leem a bíblia | Série A Imitação de Cristo - Direção Espiritual | Frei Gilson

Quer ter mais paciência? Aprenda com a natureza


Prof. Felipe Aquino

MOTYL

Deus usa da natureza para nos fazer pacientes, já que esta lição é fundamental para nossa salvação

São Tiago diz que a paciência nos leva à perfeição, a meta de nossa vida cristã. “É preciso que a paciência efetue a sua obra a fim de serdes perfeitos e íntegros, sem fraqueza alguma” (Tg 1,4). Ele chega a dizer que é uma “suma alegria” passar por diversas provações, já que elas produzem em nós a paciência (Tg 1,2). É impressionante esse “suma alegria”. Os santos dizem que há dois tipos de martírio: o da morte pela espada; e o da morte lenta, também por amor a Deus, pela paciência.

Não há barreira espiritual que não caia pela força da paciência, que é fruto da fé e do abandono da vida em Deus. Foi pela paciência que Abraão esperou o seu Isaac, 25 anos após a promessa de Deus. Foi pela paciência que Jó venceu as provações e agradou a Deus. Foi pela paciência que a Igreja venceu todos os seus inimigos até hoje: o império romano, as heresias, as perseguições, o comunismo, o ateísmo, os pecados dos seus filhos, etc. Sem paciência não é possível o crescimento humano e espiritual.

Quando os nossos pecados e fraquezas nos assustam e nos desanimam, é preciso ter paciência conosco e aceitar a nossa dura realidade. Assim os santos chegaram à santidade. Quando é difícil caminhar depressa, então é preciso ter paciência e aceitar caminhar devagar. José e Maria salvaram o Menino das mãos de Herodes, indo passo a passo até o Egito. A pressa é inimiga da perfeição.

Quando o trabalho de cada dia se torna monótono e cansativo, é preciso fazê-lo com paciência, oferecendo cada gota de suor a Deus. Quando a oração se torna difícil, é preciso mantê-la com paciência, deixando que ela mesma aumente em nós essa virtude. Quando o obstáculo é intransponível às nossas possibilidades, é preciso saber esperar as circunstâncias mudarem, a graça de Deus agir, e tudo acontecer. Santa Teresa D’Ávila, doutora da Igreja, nos ensina: “Nada te perturbe; nada te espante. Tudo passa. Só Deus não muda; a paciência tudo alcança. Quem a Deus tem nada lhe falta: Só Deus Basta!”

Quando o sofrimento se faz presente, é preciso não se desesperar, e fazer como os passarinhos que, quietinhos no ninho, esperam a tempestade passar… O remédio é a paciência!

“O sofrimento aceito com paciência é o mais rápido caminho da santificação”, nos garante São Francisco de Sales, com sua autoridade de doutor da Igreja. Foi o santo da paciência; nada lhe tirava o sorriso dos lábios.

Maria, nossa Mãe, é a mulher da paciência. Sempre soube esperar o desígnio de Deus se cumprir, sem se afobar, sem gritar, sem reclamar… A paciência é amiga do silêncio e da fé.

“Meu filho, se entrares para o serviço de Deus (…) prepara a tua alma para a provação; humilha teu coração, espera com paciência… sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência” (Eclo 2,1-3).

Deus usa da natureza para nos fazer pacientes, já que esta lição é fundamental para nossa salvação. Para que todos pudessem sem se cansar aprender essa lição, Deus a colocou como a base da criação. Você semeia o grão de milho e tem de esperar pacientemente seis meses para colher a espiga. Primeiro o grão germina; gera a plantinha que cresce e se fortalece aos poucos, sem cessar e sem correr, silenciosamente. Se adapta ao solo, ao clima, ao tempo… Depois vêm as flores e por fim o fruto.

Toda a natureza nos dá essa lição: crescer devagar, sem parar, com paciência e em silêncio. Nós fomos uma única célula no ventre caloroso da mãe, ela se dividiu em duas… em milhões, aos poucos, lentamente. E assim Deus nos teceu no seio materno, como a mulher vai tricotando uma blusa, ponto por ponto, sem parar, sem correr. Que lição de vida!

É Deus nos falando pelo espelho da natureza. Feliz de quem sabe contemplá-la e aprender as suas belas lições. Tudo que a gente fizer sem paciência e sem contar com a natureza, ela mesma se incumbe de destruir. Deus atrelou nossa vida na paciência que a natureza nos ensina sem cessar.

Parte 17 - Sabedoria | Série A Imitação de Cristo - Direção Espiritual | Frei Gilson


O que eu quero que meus filhos saibam sobre ser católico


Laura Hanby Hudgens

FIRST COMMUNION

Tudo o que ensinamos e toda prática que adotamos devem levar nossos filhos ao relacionamento profundo com Cristo

Vinte anos atrás, quando nossos dois filhos mais velhos eram bebês, meu marido e eu fomos recebidos na Igreja Católica. Eu estava muito feliz na época, e minha alegria nunca diminuiu. Eu amo ser católica. Eu amo a beleza e a unidade da nossa fé.

O ensino do Magisterium tem sido uma fonte de tremendo conforto para mim, colocando meus pés em terreno doutrinário sólido depois de anos saltando de igreja em igreja. E o mais importante: na Igreja Católica, meu relacionamento com Jesus se aprofundou e minha confiança em Seu amor e na Sua misericórdia foi fortalecida.

Como minha fé católica tem sido uma tremenda bênção e por acreditar que tudo o que a Igreja ensina é verdadeiro, naturalmente quero que meus filhos amem nossa fé e continuem católicos.

Para esse fim, tento sempre ter a certeza de que eles conhecem nossa história e se familiarizam com os santos e heróis de nossa fé. Quero que eles conheçam e entendam nossas doutrinas e dogmas, nossas tradições e nossa liturgia. Quero que eles desenvolvam um relacionamento com nossa Mãe Santíssima, amem-na e honrem-na como Jesus a ama e honra. Eu quero que eles se aprofundem nas Escrituras Sagradas e desenvolvam amor e devoção pela palavra inspirada de Deus, mantendo contato constante com ela. E, é claro, quero que eles entendam e recebam os sacramentos como fontes da graça de Deus.

Há muito o que ensinar e muito para eles entenderem. Tudo isso é importante para a salvação e a vida em Cristo. No entanto, quando paro e penso sobre meu objetivo final para meus filhos, eu sei, é claro, que é um relacionamento com Jesus. Esse é todo o propósito de nossa fé católica. É todo o propósito de nossa existência.

Se nossos filhos conseguirem listar todos os papas de Pedro a Francisco, se conseguirem explicar todos os dogmas, se conseguirem recitar o Angelus, o Rosário e a Ladainha dos Santos, mas não conhecerem Deus, não O amarem nem O servirem, perdemos nosso tempo.

Isso não quer dizer que a educação religiosa seja uma perda de tempo ou que não devemos ensinar a nossos filhos a riqueza e a plenitude de nossa fé católica. Certamente não queremos deixar de lado os ensinamentos da Igreja. Não queremos dar a nossos filhos a impressão de que sentimentos calorosos por Jesus substituem a intimidade que compartilhamos com Ele nos sacramentos ou que as preferências pessoais superam a beleza e a riqueza da liturgia.

Por outro lado, por mais preciosa e poderosa que seja nossa fé católica, pais e educadores religiosos nunca devem perder de vista o fato de que tudo isso – as doutrinas, os dogmas, os sacramentos, os santos, as orações e as Escrituras – nos foi dado para nos ajudar a conhecê-Lo, amá-Lo e servi-Lo neste mundo – e ser feliz com Ele no próximo. Tudo o que ensinamos e toda prática que adotamos deve levar nossos filhos mais profundamente a esse relacionamento com Cristo.

Como convertida, sempre foi importante para mim incutir em meus filhos uma sólida compreensão dos ensinamentos da Igreja Católica. Agora que eles são mais velhos, rezo para que não tenha passado tanto tempo ensinando-os sobre a Igreja de Jesus e deixado de enfatizar a eles que o objetivo é ajudar-nos a conhecer, amar e servir Aquele que a fundou.

É claro que sei que minhas tentativas de levar meus filhos a Cristo por meio de Sua Igreja podem ser imperfeitas. Meus filhos terão dúvidas e perguntas sem respostas. Eles podem até se afastar por um tempo. Mas não importa quão imperfeitos meus esforços possam ter sido; confiei-os àquele que é perfeito, e confio que, aconteça o que acontecer, Ele acabará por liderá-los de volta à beleza e plenitude da verdade encontrada na Igreja Católica.