sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

8 alimentos que ajudam a refrescar o calo


Eles prometem hidratá-lo mesmo nos dias mais quentes. Conheça as vantagens de cada um — e como aproveitá-los — para curtir o verão com saúde

Por Katia Cardoso, Saúde



Jarra e copos com suco de fruta

São Paulo – O verão chegou e, com ele, a necessidade de se hidratar mais. E é bom caprichar mesmo porque a temperatura promete subir muito em janeiro e fevereiro.

Uma pesquisa realizada pela agência meteorológica do Reino Unido mostra que 2017 será um dos anos mais quentes de que se tem notícia. A razão para isso é a combinação entre os efeitos do El Niño — fenômeno atmosférico que aquece águas dos oceanos e altera o clima global — e os gases do efeito estufa.

Para ajudá-lo a encarar o sol e a praia que estão a caminho, selecionamos uma lista de bebidas e alimentos que hidratam, refrescam e espantam o calor. Você vai conhecer prós e contras de cada para fazer as suas escolhas.

1. Águas aromatizadas ou saborizadas


Elas chegaram com tudo. Estão na moda e marcam presença em restaurantes e bares, sendo apreciadas principalmente por quem acha a água sem graça. Mas são saudáveis? As versões naturais, que você prepara em casa, sim. “Especiarias como a canela conferem um sabor delicioso à água”, aponta Ana Ceregatti, nutricionista especializada em alimentação natural e vegetariana. Ela destaca que uma excelente opção é adicionar galhos de hortelã limpos e frescos e um pedaço pequeno de gengibre à bebida. Se esses itens forem orgânicos, melhor ainda. A hortelã favorece a digestão e o gengibre contém o ativo gingerol, um antisséptico e anti-inflamatório natural. “Quem gosta de ervas e especiarias pode fazer as próprias combinações”, afirma Ana. Cuidado mesmo exigem as frutas cítricas, que oxidam em temperatura ambiente e, aí, deixam a água com sabor amargo, além de perderem suas propriedades nutricionais. As industrializadas, ao contrário, abusam dos corantes artificiais, conservantes e acidulantes (usados para intensificar o sabor dos alimentos e bebidas). Algumas têm ainda adoçante e sódio. Além das versões saborizadas artificialmente, o mercado possui agora farta oferta de uma bebida vendida com vitaminas, minerais e energéticos em cápsulas – cujo conteúdo deve ser adicionados ao líquido da garrafa. É mais um desses modismos de academia. “Parece água, mas não é. A promessa é de que esses produtos aumentem a energia ou acalmem”, descreve Cynthia Antonaccio, da Consultoria Equilibrium, de São Paulo. Essas bebidas contêm princípios ativos e extratos que até podem ser uma opção interessante. Porém, é imprescindível contemplar a presença de açúcar em sua composição e o preço (que chega a 100 reais a unidade) antes de optar por qualquer uma.

2. Chá gelado


Não dá para negar que um chá geladinho ajuda a driblar a sede. Mas, diante da variedade de produtos disponíveis, qual escolher? “A melhor opção será sempre a natural, sem açúcar e à base de ervas, flores e especiarias, como erva-mate, hibisco, camomila e gengibre”, explica Fernanda Gabriel, nutricionista da RG Nutri, consultoria de São Paulo. Preparado com água e um ingrediente principal, esse tipo de bebida preserva antioxidantes e substâncias anti-inflamatórias. Cuidado apenas com a procedência da erva e com a quantidade de chá ingerida. Compre esses produtos em estabelecimentos de confiança, verifique se não estão mofados e se não apresentam sujidade. “Essas ervas possuem princípios ativos que, se consumidos com frequência e em grande quantidade, podem fazer mal aos mais sensíveis. A dica é variar”, ensina Mariana Del Bosco, nutricionista e mestre em Ciências pela disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Já os chás industrializados, disponíveis em saquinhos, garrafas e até latas, são sem dúvida práticos. Porém, também são mais pobres do ponto de vista nutricional. A maioria tem pouca quantidade de polifenóis –compostos encontrados nos alimentos e que varrem as toxinas do organismo, por exemplo. Tais compostos se perdem durante o processo de produção dessas bebidas, que têm sabor alterado com a adição de açúcar ou adoçantes. “Alguns chás industrializados contêm conservantes e corantes. Por isso, sempre indico os que são feitos com as ervas e, na ausência deles, os de saquinho”, receita Ana Ceregatti. Caso você não deseje carregar por aí uma garrafinha com seu chá feito em casa, a nutricionista Cynthia Antonaccio dá uma dica importante: “Ao comprar as versões industrializadas, escolha pelo menos as que têm menos açúcar ou são light”. Vale lembrar que a ingestão desse carboidrato não deve ultrapassar 10% do valor calórico total do dia, como recomendado pela Organização Mundial de Saúde. “Um adulto que consome em torno de 2 mil calorias ao dia pode ingerir, no máximo, 200 calorias provenientes do açúcar, que é algo em torno de 50 gramas”, exemplifica Fernanda Gabriel.

3. Água de coco


Um das deliciosas vantagens do verão é aproveitar praias, parques e praças — e se lambuzar com uma refrescante água de coco. Fernanda Gabriel, da RG Nutri, confirma que o líquido é naturalmente rico em água e minerais que auxiliam na hidratação. “Além da água da fruta, podemos consumir a carne do coco. Ela é gostosa e carrega fibras e gorduras que garantem a saciedade por mais tempo”, fala. Em um copo de 200 mililitros dessa bebida há 93% de água. O restante é composto por açúcar, proteínas, sais minerais e fibras. Por isso, Ceregatti endossa o consumo do líquido in natura. Ela explica que o produto em caixinha contém frutose – adicionada na maioria dos industrializados (sucos etc) para destacar o sabor da bebida. “É melhor comprar o coco fresco, abri-lo e fazer cubos de gelo com sua água”, diz. Esses cubos servirão para preparar sucos naturais e até smoothies, preservando as propriedades da fruta. Fernanda Gabriel até admite o consumo da água em caixinha como alternativa para os dias de pressa e para quem não encontra a fruta com facilidade. Mesmo assim, a ingestão deve ser moderada – justamente pela presença de açúcar e conservantes nessa versão.

4. Sucos naturais e industrializados


Mais uma vez, as nutricionistas preferem os naturais ou a versão integral em caixinha. “Por serem feitos com ingredientes frescos, eles mantêm os nutrientes”, ensina Fernanda. Ela reforça que, entre os industrializados, é bom ficar de olho na presença de açúcar e evitar os néctares e refrescos, que apresentam um percentual pequeno de fruta na composição. Para ser considerada um suco, a bebida precisa ter pelo menos 50% de polpa da fruta e água (sem nenhuma substância estranha). Já o néctar deve conter até 30% de fruta, açúcar e aditivos químicos, como corantes. Nesse balaio, não dá pra negligenciar os refrescos (com 8% de fruta e muito açúcar) e o suco concentrado (ele tem menos açúcar que o néctar, é mais barato e leva corantes, aromatizantes e conservantes). Já o produto integral não carrega conservantes nem é adoçado artificialmente. No entanto, se no momento de escolha você só tiver o néctar, não precisa se martirizar. E uma dica da nutricionista Cynthia Antonaccio: “Ao optar pelo néctar, escolha aqueles que seriam iguais ao que você prepara em casa”, diz. Como assim? “Por exemplo: dificilmente você fará um suco puro de maracujá ou de limão. Então, não tenha medo se, às vezes, recorrer a esses produtos. Mas analise para ver se vale a pena”, explica.

5. Picolé e sorvete de massa


Por mais tentadores que sejam, cabe lembrar que os sorvetes de massa possuem um monte de açúcar e, em boa parte dos potes, a famigerada gordura trans, criada pela indústria para melhorar o sabor e a durabilidade dos alimentos na gôndola. Acontece que estudos científicos comprovaram que essa molécula é muito prejudicial à saúde. Por isso, a opção das nutricionistas é o picolé — em geral, preparado com suco da fruta e açúcar. “Se tiver que escolher, opte por um de frutas, mas não pense nele como lanche”, ensina Ceregatti. Nas refeições intermediárias, coma o vegetal in natura mesmo para matar a fome. A nutricionista Cynthia Antonaccio admite a ingestão de sorvete de massa como uma indulgência à qual você recorre vez ou outra. “Sem peso ou culpa, mas consciente do que está ingerindo”, arremata.

6. Açaí na tigela


Não abre mão dessa delícia originária da Amazônia e está no grupo dos que precisam controlar a ingestão de açúcares? Então fique de olhos abertos: a maioria das versões vendidas nas ruas têm adição de xarope de milho, como esclarece Ana Ceregatti. “Arriscaria que 99% dos que são vendidos têm esse ingrediente. Ele é pior que o açúcar refinado, porque sobrecarrega o organismo de forma geral”, explica. De acordo com ela, é importante checar o rótulo para adquirir os que contenham a polpa de açaí. Fernanda Gabriel diz que nem por isso a fruta deve sair do cardápio. “Ela é rica em antioxidantes e proporciona saciedade. Mas a polpa congelada, na maioria das vezes, é adoçada. Assim, é melhor escolher acompanhamentos como frutas, coco ralado e opções sem açúcar”. Garantimos: não é necessário adicionar xaropes como o de guaraná na tigela. As frutas e os cereais já dão um gosto especial. Mas se está sentindo falta de um docinho, considere o açúcar mascavo ou mesmo o de coco.

7. Raspadinha


A procedência da água usada para fazer essa guloseima praiana é comumente negligenciada. Mas é aí que mora o perigo. Se não for potável, ela pode ser veículo de transmissão de várias doenças, ocasionando de diarreia à hepatite A. “Também é importante saber que tipo de suco foi usado para prepará-la e se foi adicionado algum xarope”, acrescenta Ceregatti. A nutricionista explica que um suco natural é o ingrediente perfeito para uma raspadinha deliciosa. “Bata água de coco com suco de uva no liquidificador. Ponha em um saco e leve ao freezer até endurecer. Se preferir, use suco de maçã concentrado”, ensina. Para os que não abrem mão das versões vendidas nas areias e ruas brasileiras, vale ficar atento às calorias. Isso porque ingredientes como leite condensado tornam essa opção bastante calórica. “Se forem feitas com esses produtos, as raspadinhas devem ser incluídas na alimentação com moderação”, pondera Fernanda Gabriel.

8. Água mineral


“A água deve ser ingerida pura e estar sempre disponível. Ela é a nossa principal fonte de hidratação”, atesta Del Bosco. “Uma dica para saber se você está bebendo a quantidade ideal é observar a cor da urina, que deve ser clara”, conclui. Nas ruas, o principal cuidado é comprar uma água mineral de fonte ou empresa reconhecida. “Sempre a adquira em um comércio formal, que forneça nota fiscal. Nesses locais, o risco de levar um produto adulterado é menor”, afirma Antonaccio. Como as águas são extraídas de fontes naturais, pegue as que você já está acostumado — mais por uma questão de sabor do que por qualquer outro detalhe. O sódio encontrado nas versões minerais é natural das fontes das quais ela são extraídas. Sua quantidade é muito pequena frente às recomendações diárias (um copo de água há 0,15% da indicação de consumo). “Sendo assim, não vai prejudicar o funcionamento do corpo”, afirma Fernanda Gabriel. O consumo frequente de água mineral, ao contrário do que se fala, não causa danos ao organismo em pessoas saudáveis. Evite apenas ingeri-la durante as refeições. Vale lembrar que nosso corpo precisa de aproximadamente 2 litros de água por dia para regular a temperatura, transportar minerais e vitaminas e por aí vai. E uma ótima notícia: o consumo adequado ajuda até a acabar com aquela falsa sensação de fome. Portanto, hidrate-se!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Oração ao Espirito Santo


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Respirai em mim, o Espirito Santo, para que seja santo o meu pensar. 

Impeli-me, ó Espirito Santo, para que seja santo o meu agir.

atrai-me  ó Espirito Santo, para que eu ame o que é santo.

Fortalecei-me, ó Espirito Santo, para que eu proteja o que é santo. 

protegei-me, ó Espirito Santo, para que jamais eu perca o que é santo.

Amém.  

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Vista como vilã por anos, a banha de porco está de volta à cozinha

Queridinho da cozinha até o início do século 20, o ingrediente é visto hoje como uma opção mais saudável do que os óleos vegetais

Por: Bruna Marini especial

Vista como vilã por anos, a banha de porco está de volta à cozinha Diogo Sallaberry/Agencia RBS

Uma comida com sabor acentuado e ao mesmo tempo saudável é o desejo de qualquer pessoa que visa uma boa alimentação. A banha de porco, vista como uma vilã desde a introdução dos óleos vegetais, nas primeiras décadas do século 20, tem ganhado defensores: por ser uma gordura natural e de origem animal, é apontada como um ingrediente benéfico para a saúde, além de deixar o alimento mais apetitoso.

— Até 1911, quando era somente utilizada a banha, não havia índices de infarto, problemas cardíacos e obesidade — revela o médico e homeopata Claudio Rhein.

Segundo Rhein, o ingrediente é saudável para as artérias, porque não as deixa enrijecidas:

— Ela aumenta o colesterol bom (HDL) e diminui o colesterol ruim (LDL), deixa os vasos sanguíneos "tranquilos" e a contração do coração preservada.

Para o chef de cozinha Giovani Toigo Machado, a banha é indispensável. Há 13 anos trabalhando na área, ele dá continuidade ao que aprendeu na cozinha com o pai e em seus cursos.
— Toda a comida de panela ficaria melhor se preparada com banha — conta Giovani.

O chef geralmente utiliza o ingrediente quando elabora pratos da culinária clássica italiana, como o menarosto (técnica de preparo e cozimento de carnes no espeto) e carnes de panela.

— Até o perfume dela é diferente — diz o chef, ao ressaltar que o cheiro da banha é mais suave do que o azeite.

Segundo Machado, a aromatização da gordura intensifica o sabor do prato. O processo pode ser feito com temperos como alho, louro, alecrim e tomilho, dependendo do gosto de cada um.

 A dona de casa Odila Pedron Tomazoni, 63 anos, costuma usar a banha em frituras e no tempero do feijão.

— Antigamente as pessoas só cozinhavam com banha de porco, era o ingrediente secreto de nossos avós — conta Odila.

O gostinho da comida fez com que dona Odila seguisse utilizando o ingrediente em seus preparos:

— A banha, além de mais benéfica, dá um sabor especial à comida — diz.

Para saber a procedência do ingrediente, é necessário conhecer a alimentação do animal.

— O ideal é comprar de produtores quem criam porcos com comida natural, como o milho, e evitam rações e hormônios — explica Rhein.

O médico ainda destaca que a banha não é a "salvadora da Pátria", mas é uma opção saudável em relação aos azeites, assim como o óleo de coco. Além disso, é possível reutilizá-la sem causar danos à saúde.

Vantagens

Rica em ácido oleico, a banha pode ser uma ótima aliada contra a depressão. Além disso, a gordura do animal criado com alimentação natural é farta em ômega 3.

Estudo

Um estudo do Dr. Paul White, da University of Cambridge, mostra que em 1911, quando o óleo vegetal foi introduzido no mercado norte-americano, não havia nenhum registro de infarto do miocárdio nos EUA. Em 1930, foram 300 casos, e em 1960, 30 mil.

Curiosidades

:: Os óleos vegetais (algodão, milho, soja e girassol) in natura, ou seja, antes do processo de aquecimento, são boas alternativas para uso. Porém, depois de receberem calor, como na fritura, eles sofrem reações químicas prejudiciais para a saúde humana.


:: Antigamente, quando não existia energia elétrica, era praticamente impossível conservar alimentos frescos por muito tempo. Uma opção era imergir a carne na banha de porco, onde se mantinha preservada por vários meses.

Receita mantém a tradição e usa banha para tornar o prato mais saudável e não deixar cheiro na comida. Foto: Diogo Sallaberry/ Agência RBS






A Megalomania de Hitler (Dublado) Documentário National Geographic

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

MADALENA A PROSTITUTA SEM NUNCA TER SIDO


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Nos evangelhos canônicos, Maria Madalena (3-63) é a personagem feminina mais importante e controvertida. Sem contar as repetições, ela aparece doze vezes nos evangelhos. Os Atos dos Apóstolos simplesmente ignoram a sua pessoa. Os traços da ação e personalidade de Madalena nos canônicos são: apóstola que acompanha Jesus desde a Galileia (cf. Lc 8,1-3); mulher possessa de sete demônios, os quais são expulsos por Jesus (cf. Mc 16,9), capacitando-a para o serviço do Reino; mulher que sustenta financeiramente a Jesus (cf. Lc 8,2); testemunha da morte, enterro e ressurreição de Jesus. Na tradição da literatura apócrifa (dez livros), Madalena aparece como: companheira, esposa/consorte, amada de Jesus; não prostituta; personificação terrena da gnose/ sabedoria; mulher que conhecia o todo; apóstola e confidente de Jesus; mestra nos ensinamentos de Jesus.

O Evangelho de Maria Madalena é uma preciosidade de informações sobre o papel apostólico exercido por Madalena, que infelizmente não entrou na lista dos livros inspirados. Escrito, possivelmente, no ano 150 da Era Comum, esse evangelho, em sua versão copta (língua do Egito), foi encontrado em vasos enterrados perto de um mosteiro, no Alto Egito, em uma localidade chamada Nag Hammadi. A Madalena desse evangelho se parece com a dos evangelhos canônicos, com a diferença de que, no apócrifo, ela assume seu papel de mulher apóstola. Jesus revela-lhe ensinamentos, os quais Ele transmite aos apóstolos. Pedro (1 a.C.-67 d.C.), André (?-60) e Levi (Mateus, ?-c.72) são os interlocutores explícitos, e os dois primeiros reagem contra a mulher Madalena, não aceitando sua condição de mestra e apóstola.

O final do evangelho diz que, após os ensinamentos de Madalena, os discípulos saem a anunciar o evangelho segundo Maria Madalena. Isso só foi possível porque Levi conseguiu fazer que Pedro, André e os apóstolos compreendessem que Madalena era a preferida de Jesus e Sua apóstola. Ela falava a verdade sobre os ensinamentos de Jesus. Na palavra de homem, Madalena é confirmada na sua ação. O coração deles se abre para ouvir Madalena e anunciar seu evangelho. Pistis Sophia (Fé Sabedoria) está estruturado em forma de diálogo entre Jesus ressuscitado, Maria Madalena, Maria, a mãe de Jesus, Salomé, Marta e os onze apóstolos. O conteúdo da revelação é expressamente gnóstico. Notório é o destaque dado à pessoa de Madalena. É ela quem dirige a Jesus a maioria das perguntas, comenta o sentido das respostas e é louvada pelo mestre por sua sabedoria e presença do Espírito.

O Evangelho de Tomé, nos textos datados do ano 140 E.C., cita duas vezes Maria Madalena. No primeiro (Dito 21), ela pergunta a Jesus a quem se parecem os discípulos e, no final do evangelho (Dito 114), Pedro toma a palavra e pede que Jesus expulse Madalena do meio deles, pois as mulheres não são dignas da Vida, do Reino de Deus. Jesus responde com ironia a Pedro e valoriza o papel da mulher, do feminino, e confirma a ideia gnóstica de que o feminino era o lado ruim da criação. a ideia gnóstica de que o feminino era o lado ruim da criação.

O Evangelho de Nicodemos, escrito do século V E.C., apresenta o sofrimento de Madalena pela morte por crucifixão de Jesus e a sua decisão de levar ao conhecimento do Império Romano e ao mundo as atrocidades cometidas por Pilatos e os ímpios judeus.

O Evangelho de Filipe, datado na metade do século II e segunda metade do século III E.C., é um escrito gnóstico. Nele, assim como em Perguntas de Maria, Madalena é apresentada como companheira de Jesus. O livro da ressurreição de Cristo do apóstolo Bartolomeu (?-51), escrito dos séculos VII ao VIII E.C., ao distinguir entre a multidão das mulheres que estavam no sepulcro, na manhã da ressurreição, fala de Madalena como mulher que foi libertada da mão de Jesus por Satanás e não como prostituta. Salomé, sim, é denominada de “a tentadora”.Também nesse evangelho, Jesus ressuscitado aparece a Maria, mãe de Jesus, e não a Madalena. Outros escritos apócrifos, como Exegese em torno da alma, embora não cite explicitamente o nome de Madalena, oferece reflexões em torno de sua pessoa, como o mito de pecadora arrependida.

A tradição judaica, hostil a Jesus, também ensinou que Maria Madalena era adúltera. O Talmude chega a confundir Maria Madalena com Maria, mãe de Jesus. Na história da Igreja, destacam-se os testemunhos de Santo Ambrósio (340-397), o qual diz que Madalena poderia ter sido pecadora. Pedro Crisólogo (406-450) diz que Madalena é o símbolo da Igreja “Santa e Pecadora”. Quanto ao anúncio da ressurreição às mulheres, Crisólogo afirma: “Neste serviço, as mulheres precedem aos homens, elas que pelo sexo vêm depois dos homens, por ordem (hierárquica) depois dos discípulos: mas não por isso estão a significar que os apóstolos sejam mais lentos, pois elas levam ao sepulcro do Senhor não a imagem de mulheres, mas a figura da Igreja”. Honório de Autun (1080-c. 1153) atribui a Maria Madalena uma vida inclinada à libido e, por isso diabólica, quando escreve: “[O Senhor...] nos colocou diante da bem-aventurada Maria Madalena como exemplo de sua clemência. Narra-se que esta era a irmã de Lázaro, que o Senhor fez ressuscitar do sepulcro depois de quatro dias, e foi também irmã de Marta, que com frequência ofereceu hospitalidade ao Senhor.

Esta Maria foi enviada para junto ao marido na cidade de Mágdala, mas, fugindo dele, foi para Jerusalém. Esquecendo-se de sua família, esquecida da lei de Deus, tornou-se uma vulgar meretriz; e, após se tornar prostíbulo da torpeza, se tornou também, por conseguinte, sacrário dos demônios; de fato, entraram nela sete demônios todos juntos, e constantemente a atormentavam com desejos imundos”. Em 1050, Maria Madalena foi proclamada padroeira de uma abadia de monjas beneditinas. A ideia seria mostrar que ela se arrependeu e tornou-se eremita.

Na França, é tida como padroeira dos perfumistas e cabeleireiros. Maria Madalena é celebrada pela Igreja Católica no dia 22 de julho. Ela é também a padroeira das prostitutas. Na liturgia devocional da Idade Média, encontram-se Laudes e Completas dedicadas a Maria Madalena. Ela inspirou muitos pintores, os quais a retratam como mulher pecadora; penitente; bela e formosa; idosa e solitária; que unge Jesus; que ampara Maria, a mãe de Jesus; que anuncia o ressuscitado; discípula que acompanha Jesus em sua agonia. A tradição cristã fez de Maria Madalena uma prostituta arrependida, fato que não pode ser sustentado nem mesmo pelos evangelhos canônicos, os quais não mencionam que ela era prostituta. O famoso texto de Lucas 7,36-50, a pecadora que unge os pés de Jesus, não diz que essa era Madalena.

A comunidade lucana coloca, logo a seguir, que Jesus andava por cidades e povoados pregando acompanhado por mulheres, entre as quais estava Maria Madalena, aquela da qual ele havia expulsado sete demônios. Caso a prostituta fosse Madalena, por que a comunidade lucana omitiria seu nome? E, além disso, ela aparece no texto posterior com adjetivo de ex-possessa. Ou seria isso que levou a Igreja a identificá-la com a prostituta? Se a comunidade lucana soubesse que a prostituta que ungiu Jesus era Madalena, ela não teria motivos não dizê-lo. Situando o texto da pecadora no início da vida pública de Jesus, a comunidade lucana quis mostrar que todos os pecadores, assim como os que seguem o mestre, devem ter lugar na comunidade. Foi um erro histórico dos padres da Igreja a interpretação de Lucas 7,36-50, que foi seguida pela devoção popular e a arte. Com certeza, essa análise alimentava o espírito machista dos primórdios do cristianismo. A mulher Madalena ficava subestimada em seu papel de liderança apostólica.

Temos uma dívida histórica com ela. Em 1969, a Igreja Católica pronunciou-se reconhecendo o erro histórico com Maria Madalena e pedindo desculpas pela errônea alcunha de prostituta. Pouco difundido na época, o documento não teve muita repercussão.

A personagem Maria Madalena foi tratada, no decorrer da história cristã, como mito de pecadora redimida. De prostituta, virou santa para morar no imaginário coletivo como mulher forte e exemplo de vida cristã. Infelizmente, esse foi um bem, que, para se firmar, teve de fazer uso de inverdades como a história de Maria Madalena, a prostituta.



                                   


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Frei Jacir de Freitas Faria, OFM

Escritor e mestre em Ciências Bíblicas  
pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma                                               

O Senhor nos fere mas nos cura_Padre Fábio de Melo