quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Participar da política é dever de todo católico, sim – mas não da politicagem


Francisco Vêneto 
     

"É sagrado o dever de participar responsavelmente da vida pública e política"

É tristemente comum a confusão que perdura no meio de muitos cidadãos, inclusive católicos, no tocante à diferença entre política e politicagem, ou política e partidarismos. O católico não deve fazer politicagem, mas deve fazer política. O católico não deve se alinhar com partidarismos, mas deve se envolver seriamente na política.

Política não é ruim. Ruim é politicagem. Ruim é partidarismo.

Política é apenas a participação ativa e consciente nas decisões da sociedade, o que não é apenas um direito, mas também uma obrigação moral: ninguém pode se isentar da sua cota de responsabilidade nas decisões da sua própria comunidade. Somos TODOS responsáveis, em alguma medida, pelos rumos da nossa pátria, do nosso Estado, da nossa cidade, do nosso bairro, da nossa rua.

A Igreja deixa esta responsabilidade bem clara na sua doutrina social – e o Papa Francisco nos lembra disso com frequência. Veja, por exemplo, esta matéria:

O Santo Padre é perfeitamente claro: “Envolver-se na política é uma obrigação para um cristão”. Mas de que política ele está falando?

A fim de reforçar esta consciência, compartilhamos a seguinte mensagem de Dom Gil Antônio Moreira, arcebispo de Juiz de Fora, no Estado brasileiro de Minas Gerais:

Consta dos princípios cristãos o dever de colaborar com a sociedade na busca do bem comum. É ‘sagrado’ o dever de participar leal e responsavelmente da vida pública e política, buscando uma sociedade justa, fraterna e pacífica. A Igreja faz isto a partir do Evangelho cujo núcleo é a pessoa de Jesus Cristo, que veio para salvar a pessoa humana de forma integral e definitiva.

Para esclarecer sobre a participação do fiel cristão na vida pública, social e política, o Pontifício Conselho “Justiça e Paz” publicou no ano de 2004 o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, que estabelece balizas para este fim.

São João Paulo II, na encíclica Sollicitudo Rei Socialis (1987), enfatizava que não é possível amar o próximo como a si mesmo e perseverar nesta atitude sem firme e constante determinação de empenhar-se em prol do bem de todos e de cada um, porque todos nós somos verdadeiramente responsáveis por todos.

Já o Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965), na Constituição Conciliar Gaudium et Spes, proclamava que as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, são as mesmas da Igreja.

Este dever de colaboração social é também um direito que a democracia, regime que todos prezamos, garante a todos os cidadãos, independentemente de credo religioso. O direito democrático prevê a liberdade de expressão e garante a liberdade religiosa como algo inalienável na construção da civilização. Tais direitos estão explícitos na Constituição Federal Brasileira nestes termos: Art. 5.º, inciso VI: é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias. O inciso VIII garante aos que creem o direito de expressão e todos os demais diretos comuns a todos os demais cidadãos: ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei.

O referido direito é internacionalmente reconhecido, como se pode ver na Declaração Universal dos Direitos Humanos em seu artigo 18: Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião. Este direito importa a liberdade de mudar de religião, ou convicção, bem assim a liberdade de manifestá-las, isoladamente ou em comum, em público ou em particular, pelo ensino, pelas práticas, pelo culto e pela observância dos ritos. Defendendo os mesmos direitos, o Pacto de São José da Costa Rica, do qual o Brasil é signatário, reza em seu artigo 12: Toda pessoa tem direito à liberdade de consciência e de religião.

Por esses e por outros artigos de leis, nenhum governo, nenhum ideólogo nem qualquer outra pessoa pode, em nome da laicidade, impedir ou cercear a ação dos cidadãos que professam uma religião. Em nome da laicidade, ninguém, a não ser que seja totalitarista ou deseje impor uma ditadura destruidora da democracia, pode negar à Igreja o direito de existir e de se posicionar, de ensinar a seus fiéis e de expressar publicamente suas convicções a respeito da dignidade humana, mesmo porque, esta matéria não é um artigo da sua dogmática, mas faz parte de uma ordem natural aceitável pela pura razão humana.

O Estado pode e deve ser laico, mas não pode ser laicista, nem pode impor uma única religião a ser seguida, como também não pode impor o ateísmo como regra geral ao seu povo, mesmo porque isto já seria uma posição religiosa praticada por ele.

O povo brasileiro, em sua imensa maioria, é fiel e temente a Deus e merece ser respeitado no que lhe atribui a legislação. O respeito e a defesa do direito à prática religiosa são indispensáveis para que haja paz e justiça para todos; do contrário, cair-se-ia no caos social.

Dom Gil Antônio Moreira

Arcebispo de Juiz de Fora

Seja você mesmo. Todas as outras personalidade já tem dono


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Muitas pessoas mundo a fora levando uma vida que não lhe satisfaz, as vezes por seguir um caminho traçado pela família, as vezes por desejar a tender expectativas da sociedade.

Oscar Wilde foi um mestre do individualismo. E quando falo em individualismo não me refiro a dar as costas ao mundo, mas a se relacionar com ele de forma autentica, sendo o que de fato você é: uma pessoa única, genuína, impossível de copiar.

Quando assumimos nosso papel, fica muito mais fácil nos movimentarmos pelos diversos cenários que o mundo proporciona a todo instante. Quando em Roma, faça como os Romanos, mas não deixe de ser você mesmo.

Descobri que somos e quais são nossa prioridades é uma das missões da vida  ̶  provavelmente a mais importante de todas. Portanto, é preciso lutar pela própria identidade.

Como já dizia Francisco de Quevedo no século XVII: “Se puderes, vive para ti, pois, ao morreres, morrerás apenas para ti”.

Allan Percy. Livro Wilde para inquietos. editora sextante.

Não aceite migalhas


Alma com Flores


Acredite: alguém vai te amar da forma que você merece

Eu não sei você, que está lendo esse texto, mas eu adoro comer, sou aquela que muda de humor quando está com fome e que nunca consegue fazer dieta. Então, talvez você, assim como eu, deva saber bem o que é estar com muita fome e alguém lhe oferecer uma salada, por exemplo. É quando você deseja devorar uma pizza com borda de chedar e, de brinde, uma pizza doce. Você sabe que uma fruta, uma barrinha de cereal, ou qualquer coisa do tipo, não irão satisfazê-la. Da mesma forma, isso se aplica ao amor.

Não aceite um amor pela metade, não aceite migalhas. Vejo muita gente se contentando com pouco, achando que aquilo é suficiente. Quanta gente infeliz em um relacionamento por medo de ficar sozinho. O primeiro passo para o amor é reconhecer as suas necessidades e estar ciente de que você não merece pouco; o segundo passo é se amar e entender o que você deseja para sua vida.

Você não merece alguém que não se importa quando você está doente. Você não merece alguém que não te liga para saber se está bem, mesmo depois de ter dito o quanto a sua semana está ruim e de como você tem se sentido mal ultimamente. Você não merece alguém que a esconda, que não a apresenta para os amigos e que não se importa quando você diz que as coisas não estão bem.

Não aceite pouco, você sabe que isso não vai fazê-la feliz, sabe o que quer e o que merece. Não aceite desculpas por medo de ficar sozinha, ou por achar que alguém nunca irá amá-la da forma como merece. Você merece um abraço que seja abrigo, um amor que seja paz e alguém que se preocupe com os seus problemas. Você pode, sim, querer alguém que a leve para casa depois de um encontro, que diga o quanto foi bom estar com você, e que, no dia seguinte, se lembre de tudo e a procure só para dizer que sentiu saudade.

Você merece alguém que a assuma, que saiba o que quer e o quanto lhe quer. Merece alguém sem medo, sem receio de ser feliz e que embarque nessa viagem de amar junto com você. No fundo, você sabe que ligações só para ganhar um beijo, e que dizer incessantemente “estou com medo de me apegar” ou “tenho medo de me apaixonar”, é pouco, muito pouco para essa sua ânsia de amar e de ser amada.

Você merece alguém que dance na chuva com você, que a aqueça no inverno, alguém que ame sem receio, alguém resolvido e disposto a enfrentar as batalhas dessa vida ao seu lado. Sim, alguém que decida estar com você quando tudo estiver caminhando mal, e que não a abandone na primeira dificuldade.

Então, não espere que alguém enxergue o seu valor, comece essa tarefa por você, decida por se ver com olhos de amor e não de pena e entenda que você não merece qualquer coisa. Você não merece migalhas. Queira muito e queira por inteiro. Você não precisa de alguém para completá-la, porque não há vazios, não há espaços para migalhas e incertezas. Você já é inteira. Queira alguém que a transborde.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Um pecado mortal, sete anos de Purgatório


Padre Paulo Ricardo


Por cada pecado mortal perdoado, uma alma precisaria passar, em média, por sete anos no Purgatório. Conheça esta e outras revelações recebidas por duas místicas da Igreja Católica

Aprouve a Deus mostrar em espírito as sombrias moradas do Purgatório a algumas almas privilegiadas, as quais revelariam os mistérios dolorosos que aí se passavam para a edificação dos fiéis [1].


Foi deste número a ilustre Santa Francisca, fundadora das Oblatas, que morreu em Roma, a 9 de março de 1440. Deus a favoreceu com grandes luzes a respeito do estado das almas na outra vida. Ela viu o Inferno e os seus horríveis tormentos; viu também o interior do Purgatório e a ordem misteriosa — quase como uma “hierarquia de expiações” — que reina nesta parte da Igreja de Jesus Cristo.

“Santa Francisca Romana dando esmolas”, de Giovanni Battista Gaulli.

Em obediência a seus superiores, que se viram obrigados a lhe imporem esta obrigação, ela deu a conhecer tudo quanto Deus lhe havia manifestado; e suas visões, escritas a pedido do venerável cônego Matteotti, seu diretor espiritual, gozam de toda a autenticidade que se pode desejar nessas matérias.

A serva de Deus declara que, depois de ter suportado com horror indescritível a visão do Inferno, saiu daquele abismo e foi conduzida por seu guia celestial até as regiões do Purgatório. Ali não reinava nem o terror nem a desordem, nem o desespero nem a escuridão eterna; ali a esperança divina difundia sua luz, de modo que, como lhe disseram, este lugar de purificação também era chamado de “estadia de esperança”. Ela viu ali almas que sofriam cruelmente, mas anjos as visitavam e assistiam em seus sofrimentos.

O Purgatório, ela dizia, é dividido em três partes distintas, que são como que as três grandes províncias daquele reino de sofrimento. Elas estão situadas uma abaixo da outra, e são ocupadas por almas de diferentes ordens, estando estas mais profundamente submersas quanto mais contaminadas e distantes estiverem da hora de sua libertação.

Santa Francisca Romana viu no Purgatório almas que sofriam cruelmente, mas os anjos de Deus as visitavam e assistiam em seus sofrimentos.
A região mais baixa é repleta de um fogo violento, mas não tão obscuro quanto o do Inferno; trata-se de um vasto mar de fogo, do qual são expelidas chamas imensas. Inumeráveis almas encontram-se mergulhadas nessas profundezas: são aquelas que se tornaram culpadas de pecados mortais, devidamente confessados, mas não suficientemente expiados em vida.

A serva de Deus então aprendeu que, por cada pecado mortal perdoado, resta à alma culpada passar por um sofrimento de sete anos [2]. Esse prazo não pode evidentemente ser encarado como uma medida definitiva, mas como uma pena média, já que pecados mortais diferem em enormidade. Ainda que as almas estejam envoltas pelas mesmas chamas, seus sofrimentos não são os mesmos: eles variam de acordo com o número e a natureza dos pecados cometidos.

Neste Purgatório mais baixo a santa notou a presença de leigos e de pessoas consagradas a Deus. Os leigos eram aqueles que, depois de uma vida de pecado, tiveram a alegria de se converterem sinceramente; as pessoas consagradas a Deus eram aquelas que não haviam vivido de acordo com a santidade do seu estado de vida.

Naquele mesmo momento, ela viu descer a alma de um sacerdote conhecido dela, mas cujo nome ela não revela: o padre tinha a face coberta com um véu que escondia uma mancha. Embora tenha levado uma vida edificante, este padre não havia sempre observado com rigor a virtude da temperança, tendo procurado mui ardentemente as satisfações da mesa.

Por cada pecado mortal perdoado, resta à alma culpada passar por um sofrimento de, em média, sete anos no Purgatório.
A santa foi conduzida então ao Purgatório intermediário, destinado para as almas que haviam merecido um castigo menos rigoroso. Aí havia três distintos compartimentos: um que lembrava um imenso calabouço de gelo, cujo frio era indescritivelmente intenso; o segundo, ao contrário, era como um grande caldeirão de óleo e massa fervente; o terceiro tinha a aparência de um lago de metal líquido semelhante a ouro ou prata fundidos.

O alto Purgatório, que a santa não descreve, é a morada temporária das almas que menos sofrem — com exceção da pena de perda [3] —, e estão muito próximas do feliz momento de sua libertação.

Tal é, em substância, a visão de Santa Francisca Romana relativa ao Purgatório.

O que segue, agora, é um registro de Santa Maria Madalena de Pazzi, uma carmelita de Florença, tal como vai relatado em sua biografia, escrita pelo pe. Cepare. Sua revelação dá uma figura mais completa do Purgatório, ao passo que a visão precedente não faz senão traçar os seus contornos.

Santa Maria Madalena de Pazzi, em uma pintura de Pedro de Moya

Algum tempo antes de sua morte, que aconteceu em 1607, a serva de Deus, M.ª Madalena de Pazzi, estando uma noite com várias outras religiosas no jardim do convento, foi arrebatada em êxtase e viu o Purgatório aberto diante de si. Ao mesmo tempo, como ela deu a conhecer depois, uma voz lhe fez o convite para visitar todas as prisões da Justiça divina e contemplar como são verdadeiramente dignas de compaixão todas as almas detidas neste lugar.

Neste momento, ouviu-se ela dizer: “Sim, eu irei”, consentindo em empreender esta dolorosa jornada. De fato, ela caminhou por duas horas em torno do jardim, o qual era muito grande, fazendo pausas de tempos em tempos. A cada vez que interrompia o passo, ela contemplava atentamente os sofrimentos que lhe eram mostrados. Ela foi vista, então, apertando com força as mãos e pedindo compaixão, seu rosto tornou-se pálido e seu corpo curvou-se sob o peso do sofrimento, em presença do terrível espetáculo com o qual ela se confrontava.

A santa começou a lamentar em alta voz: “Misericórdia, meu Senhor, misericórdia! Descei, ó Sangue Precioso, e libertai estas almas de sua prisão. Pobres almas! Sofreis tão cruelmente e, no entanto, estais tão contentes e alegres. Os cárceres dos mártires, em comparação com estes, eram jardins de deleite. Não obstante, existem outros ainda mais profundos. Quão feliz sorte seria a minha, se não fosse obrigada a descer para estes lugares!”

“Pobres almas! Sofreis tão cruelmente e, no entanto, estais tão contentes e alegres.”
Ela desceu, no entanto, porque foi forçada a continuar seu caminho. Tendo dado alguns passos, porém, ela parou aterrorizada e, suspirando, gritou: “Quê? Até religiosos nesta morada sombria! Bom Deus, como eles são atormentados! Ah, Senhor!” A santa não explica a natureza dos sofrimentos que tinha diante dos olhos, mas o horror que ela manifestava ao contemplá-los fazia com que ela suspirasse a cada passo que dava.

Daí ela passou a lugares menos obscuros. Eram as prisões das almas simples e de crianças nas quais a ignorância e a falta de razão extenuaram muitas faltas. Seus tormentos pareciam à santa muito mais suportáveis que os das outras pessoas. Nada havia ali a não ser gelo e fogo. Ela notou que estas almas tinham consigo seus anjos da guarda, os quais as fortificavam enormemente com sua presença; mas ela também via demônios cujas formas pavorosas faziam aumentar seus sofrimentos.

Avançando um pouco mais o passo, ela viu almas ainda mais desafortunadas, e ouviu-se ela gritar: “Ó, quão horrível é este lugar! Ele é cheio de demônios horrendos e tormentos inacreditáveis! Quem, ó meu Senhor, são as vítimas dessas cruéis torturas? Ai! Elas estão sendo perfuradas com espadas afiadas, elas estão sendo cortadas em pedaços.” Foi-lhe revelado, então, que aquelas eram as almas cuja conduta havia sido contaminada pela hipocrisia.

Avançando um pouco, ela viu uma grande multidão de almas que eram feridas, por assim dizer, e esmagadas sob uma prensa; e ela entendeu que aquelas eram as almas que se haviam apegado à impaciência e à desobediência durante suas vidas. Ao contemplá-las, os olhares, os suspiros e toda a atitude da santa exprimiam compaixão e terror.

O cárcere das almas que haviam se manchado com a impureza era tão sujo e pestilento, que a visão deu náuseas a Santa Madalena de Pazzi.
Um momento depois sua agitação aumentou, e a santa soltou um grito terrível. Era o cárcere dos mentirosos que agora se abria diante dela. Depois de o considerar atentamente, ela gritou bem alto: “Os mentirosos são confinados em um lugar na vizinhança do Inferno, e seus sofrimentos são excessivamente grandes. Chumbo fundido é derramado dentro de suas bocas; eu os vejo queimar e, ao mesmo tempo, tremer de frio.”

Ela foi então à prisão daquelas almas que haviam pecado por fraqueza, e ouviu-se ela exclamar: “Ai! Eu havia pensado que os encontraria entre aqueles que haviam pecado por ignorância, mas eu me enganei; vós queimais com um fogo mais intenso.”

Mais adiante, ela observou almas que se haviam apegado demais aos bens deste mundo e haviam pecado por avareza. “Que cegueira”, ela disse, “ter buscado tão ardentemente uma fortuna perecível! Aqueles a quem as riquezas não puderam saciar o suficiente aqui são devorados com tormentos. Eles se fundem como metal na fornalha ardente.”

Daí ela passou ao lugar onde as almas aprisionadas haviam se manchado com a impureza. Ela as viu em um cárcere tão sujo e pestilento que a visão lhe deu náuseas, e ela imediatamente deu as costas àquele espetáculo repugnante. Vendo os ambiciosos e os orgulhosos, ela disse: “Vede aqueles que quiseram brilhar diante dos homens! Agora estão condenados a viver nesta escuridão pavorosa.”

Foram-lhe mostradas, então, aquelas almas que haviam sido culpadas de ingratidão para com Deus. Elas eram vítimas de tormentos indescritíveis e afogadas, por assim dizer, em um lago de chumbo fundido, por haver feito secar, com sua ingratidão, a fonte da piedade.

Muitas almas no Purgatório tinham consigo seus anjos da guarda, que as fortificavam enormemente com sua presença; mas havia também demônios cujas formas pavorosas faziam aumentar seus sofrimentos.
Finalmente, em um último cárcere, foram-lhe mostradas as almas que não se tinham dado a nenhum vício em particular, mas que, por falta da devida vigilância sobre si mesmas, cometeram todo tipo de faltas triviais. A santa notou que estas almas tomavam parte nos castigos de todos os vícios, em um grau moderado, porque as faltas que elas cometeram apenas de tempos em tempos tornaram-nas menos culpadas do que aqueles que as tinham cometido habitualmente.

Após esta última estação, a santa deixou o jardim, implorando a Deus que nunca mais a fizesse testemunha de um espetáculo tão desolador: ela sentia que não tinha forças para suportá-lo.

Seu êxtase continuou, no entanto, e conversando com Jesus ela falou: “Dizei-me, Senhor, qual era o vosso desígnio em descobrir-me aquelas terríveis prisões, das quais eu sabia tão pouco e agora compreendo ainda menos? Ah, agora eu vejo: quisestes dar-me o conhecimento de vossa infinita santidade e fazer-me detestar cada vez mais a mínima mancha de pecado, tão abominável aos vossos olhos.”

Referências

Extraído e levemente adaptado da obra “Purgatory: Explained by the Lives and Legends of the Saints” (c. VI), Londres: Burns & Oates, 1893, pp. 11-16.

Notas

1.Vale a pena recordar aquilo que ensina o Catecismo da Igreja Católica a respeito de revelações como estas: “No decurso dos séculos houve revelações denominadas ‘privadas’, e algumas delas têm sido reconhecidas pela autoridade da Igreja. Elas não pertencem, contudo, ao depósito da fé. A função delas não é ‘melhorar’ ou ‘completar’ a Revelação definitiva de Cristo, mas ajudar a viver dela com mais plenitude em determinada época da história. Guiado pelo Magistério da Igreja, o senso dos fiéis sabe discernir e acolher o que nessas revelações constitui um apelo autêntico de Cristo ou de seus santos à Igreja.” (§ 67)]

2.Importante frisar: o título desta matéria diz respeito aos pecados mortais devidamente confessados, dos quais a alma, antes de morrer, efetivamente se arrependeu. Caso contrário, a pena devida por eles não é o Purgatório, mas o Inferno.

3.“A pena de perda consiste em estar privado, por um tempo, da visão de Deus, que é o supremo Bem, o fim beatífico para o qual foram feitas as nossas almas, assim como nossos olhos são para a luz. É um desejo ardente (moral thirst, lit., ‘sede moral’) que tormenta a alma.” (“Purgatory…”, p. 24)

Oração para afastar o mal de um recinto


Redação da Aleteia


Porque "o mal pode continuar presente em um recinto muito tempo depois do que quer que tenha acontecido lá dentro..."

O pe. Edward Looney é um sacerdote norte-americano que, ao viajar, sempre leva consigo uma garrafinha de água benta. Ele explica o motivo com uma única frase:

“Porque o mal é real”.

O pe. Edward comenta que o mal pode continuar presente em um recinto muito tempo depois das práticas perversas que possam ter acontecido lá dentro.

Ele cita o exemplo concreto dos quartos de hotel:

“Você não sabe quem foi a pessoa que ocupou aquele quarto antes de você, nem que tipo de bagagem ela trouxe consigo. Você não sabe o que ocorreu no quarto que, ao menos por uma noite, é ‘seu’. A água benta é uma poderosa proteção contra o mal e ajuda a dissipar os seus resquícios”.


É por isso que ele tem o hábito de aspergir água benta pelo quarto – e dá uma dica aos interessados em fazer o mesmo: se você não tiver água benta em casa, a sua paróquia pode lhe fornecer. Converse com o seu pároco.


O pe. Edward também compôs a seguinte oração, que ele reza enquanto asperge a água benta pelo recinto:

Oração pedindo proteção contra o mal

Deus Todo-Poderoso, eu Vos peço:

enviai os Vossos anjos para estarem comigo neste local

e protegei-me de todo assalto do maligno.

Perdoai todo mal que tenha sido cometido neste quarto

e concedei a graça da conversão àqueles que Vos ofenderam.

Dissipai os poderes das trevas que possam estar neste quarto

e protegei-me nesta noite,

bem como a todos os que vierem a dormir neste local

de hoje em diante.

Jesus, eu confio em Vós!


segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Porque o autor São Luís deu ao tratado da verdadeira devoção o titulo original de: “Preparação para o Reino de Jesus Cristo”?

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Porque na doutrina e na espiritualidade de São Luís Maria, a popularização da consagração ensinava no tratado da verdadeira devoção levará ao triunfo  ̶ Reinado de Maria e este ao Reino de Jesus Cristo.

Portanto, o tratado da verdadeira devoção escrito Monfort tem a finalidade de ser um instrumento para ajudar a estabelecer no mundo o Reinado de Jesus Cristo que se dará por meio da Verdadeira Devoção a Maria Santíssima.

A primeira frase do tratado expressa bem a ideia do autor e a finalidade do livro. Foi pela santíssima Virgem que jesus Cristo veio ao mundo, e também por ela que deve reinar no mundo. O nome TRATADO DA VERDADEIRA DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA foi dado pelo o próprio autor, são Luís Maria Grignion Monfort?


Referencias:

(Padre Rodrigo Maria, Catecismo da Total Consagração à Santíssima Virgem. Editora: Opus Cordis Mariae).

PREGAÇÃO SOBRE O PODER DO ESPÍRITO - TONY ALLYSSON