sábado, 18 de janeiro de 2020
Médico católico funda hospital e atende 500 pessoas por dia em região de guerra e fome

Conheça a história de
Tom Catena, um médico que trocou os Estados Unidos pelo Sudão e fez jus ao
verdadeiro sentido de sua profissão
Se há no coração o
desejo de ajudar os que vivem no desespero e são ignorados, pode-se perder o
coração pela África. Aconteceu a um jovem médico estadunidense. Nascido e
crescido com esta ideia na cabeça em Nova Iorque, o diploma de médico de Tom
Catena na Duke Univesity Medical College tinha apenas um significado. Prestar
serviço aos mais necessitados em um ambiente rural. Não importava qual seria
este lugar no mapa mundi. Depois de um breve período como médico na Marinha dos
Estados Unidos, chegou finalmente o momento de partir para uma missão. Missão
que coloca-o em confronto com experiências dramáticas: a de um médico que tenta
fazer funcionar as coisas entre perigos e frustrações que se concentram nos
Montes Nuba na parte sul do Sudão, onde até agora somente a fé mantém a
coragem.
Embora inicialmente a
meta deveria ser o Quênia, o destino indicou o Sudão como seu porto final. Na
última década, o doutor Tom Catena tornou-se um nome famoso nas colinas Nuba e
não apenas pelo seu serviço desinteressado aos pobres. Fundou e administra a
“Mãe da Misericórdia”, um hospital de 430 leitos que se destaca numa área
deserta. Esta estrutura hospitalar permitiu a sobrevivência de muitas vítimas
das violentas campanhas pelo poder do ex-presidente do Sudão Omar al Bashir.
Tom concentra grande parte dos seus esforços também no aspecto humanitário e
sonha deixar as Colinas Nuba em situação melhor do que era na sua chegada
Viver na África,
confidencia o médico foi uma escolha sua. Ele gosta a da ideia de estar em um
lugar e começar a fazer parte da comunidade. Porém, como as dificuldades não
faltam na África, a pergunta é o que o levou a deixar a comodidade da sua casa
de Nova Iorque para viver nos Montes Nuba.
Para o médico, o motivo
é bastante simples. “Quando eu estava na universidade, ainda antes de ser
médico, sempre quis ser um missionário e este desejo foi o que me levou a
estudar medicina”. Conta que depois da formatura em medicina, e depois de 4
anos na Marinha dos Estados Unidos, começou a fazer parte do “Catholic Medical
Mission Board” de Nova Iorque que na realidade foi a passagem para trabalhar em
uma zona rural.
“Então escolhi o
Quênia, em uma localidade chamada Mutomo, onde há um hospital administrado
pelas irmãs irlandesas da Misericórdia”. Depois de algum tempo transferiu-se
para a capital Nairobi onde trabalhou por cinco anos. “Enquanto estava no
Quênia – recorda – ouvi falar do Sudão, do fato que a guerra civil destruía o
país e não contava com estruturas sanitárias”. E acrescentou: “Ouvi falar que
havia algumas ONGs que trabalhavam ali, mas que estavam saindo por causa do
conflito, Parecia-me uma situação muito desesperada!”
Apesar das notícias
provenientes dos Montes Nuba, aquela realidade que se ouvia falar atraia-o a
ponto de buscar todas as informações possíveis. Dom Macram Max Gassis, hoje
bispo emérito de El Obeid, na época estava construindo um hospital nos Montes
Nuba. “Fui em busca de seu contato. Falei com ele e juntos abrimos o hospital. Iniciamos
a trabalhar em 2008”.
Enquanto conta a sua
história, transparece toda a fé de Tom Catena. “Sou um daqueles que se pode
definir de berço católico” diz. E explica: “Cresci como católico romano. Os
meus pais são praticantes muito devotos. Meu pai foi um grande exemplo para
mim. Ia à Missa todos os dias e nos educou realmente na fé, assim como minha
mãe. Eles tinham uma fé muito sólida e creio que cresci com essa ideia”. O
médico recorda alguns momentos na universidade quando tinha amigos evangélicos
e alguns temiam que se convertesse. Mas afirma que aquelas amizades foram
importantes porque “através deles, creio que eu tenha amadurecido a ideia de
ser missionário”. Depois da faculdade, prossegue, “voltei a um catolicismo mais
ortodoxo. Penso então que tive muita sorte ao longo da minha vida, de sempre
ter ao meu lado pessoas fortes na fé, capazes de me guiar, me orientar”.
Desde que se transferiu
para os Montes Nuba dedica-se aos mais necessitados fazendo disso a coisa mais
importante da sua vida. Sua jornada típica, é trabalho e montanha. “Geralmente
levanto-me as 5h30 da manhã e tendo a sorte de ter um sacerdote conosco vou a
missa todos os dias. Tom reza o Terço ao longo do caminho que o leva à Missa,
que inicia às 6h30 e termina as 7h. Depois de uma breve refeição em casa, vai
ao hospital onde começa a trabalhar as 7h30.
Das 7h30 em diante,
doutor Tom trabalha do ambulatório à sala de cirurgia, da administração aos
serviços gerais hospitalares todos básicos para o atendimento dos pacientes. Em
dias intensos, chega a consultar até 500 pacientes antes de ir à sala
operatórias para os casos mais graves… “E também atendo casos urgentes durante
a noite, voltando ao hospital. As jornadas são cheias e o trabalho é bem
cansativo”, conta. É extenuante física e emotivamente, principalmente quando o
êxito das intervenções não são positivos ou os casos são muito difíceis.
Realmente é um trabalho duro”.
Mesmo sendo um trabalho
que requer muita concentração, o doutor Tom fala de momentos nos quais
incursões militares interromperam a rotina hospitalar. “Houve momentos nos
quais estávamos na sala operatória, com pacientes deitados para serem operados,
ouvíamos os aviões chegando. Depois começava o bombardeio devíamos tomar uma
decisão. Algumas vezes continuávamos fazendo a cirurgia, ou o atendimento.
Outras íamos para o chão da sala esperando o fim do bombardeio”.
O doutor Tom diz que o
mais frustrante para um médico que trabalha nos Montes Nuba não é tanto o medo
de perder a própria vida, quando “estar longe de tudo e não ter instrumentos
necessários para o trabalho, tendo que enfrentar os limites do nosso conhecimento”.
“Somente a fé”, admite, “nos permite ir adiante, sabendo que Deus está conosco
apesar das dificuldades e dos problemas”.
Comenta que a queda de
Omar al Bashir foi uma bênção para o povo Nuba, acrescentando que o governo de
transição comunicou que “agora, depois de 30 anos, pela primeira vez no Sudão
há alguma esperança de encontrar uma solução pacífica aos conflitos, o de
Darfur e em outros lugares do Sudão”.
Alguns acontecimentos
interessantes marcaram profundamente a vida de Tom. O médico que ajuda os
corações feridos a reconstruir suas vidas, perdeu seu coração por uma nubiana,
nascida nas montanhas e que frequentava a escola. “Casamos em 2016 e isso foi
algo maravilhoso. Foi uma grande mudança na minha vida. Tornou meu trabalho
mais fácil, sabendo que há alguém com quem compartilhar as dificuldades”, conta
Tom.
Agora o maior sonho do
médico dos Montes Nuba é o de deixar o lugarejo em melhores condições do que
encontrara. Com o esforço pessoal e de pessoas que boa vontade com recursos,
Tom Catena conseguiu o seu objetivo que é o da formação profissional das
pessoas locais na área médica em vários setores.
Hoje, o Hospital Mãe da
Misericórdia pode contar com uma equipe de profissionais qualificada, entre os
quais 27 enfermeiros, médicos e farmacêuticos. Em breve tempo o hospital
receberá quatro médicos nubianos especializados. Os primeiros formados com
doações privadas.
Na realidade, a
profissionalização das pessoas, ou melhor o “capacity building” é algo que está
no coração do doutor Tom. “Para mim é muito importante para todos os que trabalham no mundo em
desenvolvimento. Deve-se trabalhar com as pessoas locais. Portanto, se as
pessoas não são treinadas para isso, essa será a primeira providência”.
Em outubro deste ano,
Tom Catena foi convidado a participar do “World Health Summit” na Alemanha. O
crescimento das competências foi uma das preocupações apresentadas naquele
encontro. “A chave de sucesso com o pessoal – diz com certeza – é a
possibilidade de formar gente local para lhes permitir de alcançar o seu mesmo
nível e até mesmo superá-lo, de modo que quando se vai embora, deixe tudo
funcionando”. Porque, acrescenta, “esta é uma parte importante do trabalho que
fazemos nos Montes Nuba e queria apresentá-la à cúpula do mundo da medicina”.
Em 2017, o doutor
Catena recebeu o “Prêmio Aurora” pelo despertar da humanidade. A recompensa em
dinheiro, obtida com o prêmio foi útil para levar adiante seu trabalho nos
Montes Nuba, especialmente para a formação. Em 2018 doutor Tom foi nomeado
presidente da iniciativa humanitária “World Wide Aurora”, papel que faz em
concomitância com sua atividade no sul do Sudão.
A sua principal
preocupação é a de sensibilizar e envolver as pessoas no trabalho humanitário.
“Todos podem ser envolvidos nisso, não importa o que se faz, não importa seu
trabalho, seu nível de retribuição. Qualquer coisa que você faça, pode ser
envolvido, mesmo apenas em sentir-se sensibilizado”.
Por Godfrey B.
Kampamba, do Vatican News
sexta-feira, 3 de janeiro de 2020
3 de janeiro, o dia do Santíssimo Nome de Jesus
Redação da Aleteia

A “Oração a Jesus“ ou
“Invocação ao Nome de Jesus“ é uma prece antiquíssima, cuja popularização
contou com grande influência dos Padres do Deserto
AIgreja celebra hoje, 3
de janeiro, o Santíssimo Nome de Jesus, que, obviamente, foi honrado e venerado
na Igreja desde os primeiros tempos (cf. Fp 2,10), mas em cuja honra só se
formalizou um culto litúrgico a partir do século XIV.
O grande propagador
desta devoção foi o franciscano São Bernardino de Siena (1380-1444), que
costumava divulgar uma imagem da Eucaristia emitindo raios de luz, sob o
monograma “IHS“, abreviação do Nome de Jesus em grego. Mais adiante, a piedade
popular daria a esta mesma sigla uma nova interpretação: “Iésus Hóminum
Salvátor“, que, em latim, quer dizer “Jesus Salvador dos Homens“. Santo Inácio
de Loyola, aliás, faria deste monograma o emblema dos padres jesuítas.
O nome Jesus vem do
hebraico “Jeshua“, “Joshua” ou “Jehoshua”, que significa “Javé é Salvação“.
O Santíssimo Nome de
Jesus foi dado pelo céu. São Lucas nos diz em seu Evangelho:
“Completados que foram
os oito dias para ser circuncidado o menino, foi-lhe posto o Nome de Jesus,
como lhe tinha chamado o anjo, antes de ser concebido no seio materno” (Lc 2,
21).
E o Novo Testamento
afirma:
“Por isso Deus o
exaltou soberanamente e lhe outorgou o Nome que está acima de todos os nomes,
para que ao Nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos.
E toda língua confesse, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor”
(Fil 2, 9-11).
A Invocação ao Nome de
Jesus
A “Oração a Jesus“ ou
“Invocação ao Nome de Jesus“ é uma prece antiquíssima, cuja popularização
contou com grande influência dos Padres do Deserto. Uma primeira forma desta
oração foi mencionada por São Diádoco de Foticeia, monge asceta da Grécia no
início do século V. A prece foi depois inserida na coletânea de textos
espirituais conhecida como Filocalia (ou Philokalia), que veio a se tornar um
livro básico da tradição cristã oriental, tornando-se muito popular nas igrejas
ortodoxas, particularmente na Rússia, onde foi ainda mais difundida por outro
clássico da literatura espiritual: Relatos de um Peregrino Russo, do século
XIX.
É uma simples e
riquíssima tradição, focada em Jesus e na Sua misericórdia. Estas são algumas
das várias formas diferentes de fazer a mesma prece:
Senhor Jesus Cristo,
tende piedade de mim!
Senhor Jesus Cristo,
Filho de Deus, tende piedade de mim, pecador!
Senhor Jesus Cristo,
Filho de Deus, tende piedade de nós, pecadores!
Jesus Cristo, Filho de
Deus, Senhor, tende piedade de nós, pecadores!
Senhor Jesus,
misericórdia!
Alguns frutos da
confiante invocação do Nome de Jesus
Oferece ajuda nas
necessidades corporais, segundo a promessa de Cristo: “Estes milagres
acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas
línguas, manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará
mal; imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados” (Mc 16,17-18).
No Nome de Jesus, os
Apóstolos deram força aos aleijados (At 3,6; 9,34) e vida aos mortos (At 9,40).
Dá confiança nas
provações espirituais. O Nome de Jesus recorda ao pecador o “pai do filho
pródigo” e o bom samaritano; ao justo, recorda o sofrimento e a morte do
inocente Cordeiro de Deus.
Protege-nos de Satanás
e de suas artimanhas, pois o diabo teme ao Nome de Jesus, quem o venceu na
Cruz.
No Nome de Jesus,
obtemos toda bênção e graça no tempo e na eternidade, pois Cristo disse: “O que
pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo dará” (Jo 16,23). A Igreja costuma
terminar as suas orações com as palavras “Por Jesus Cristo, nosso Senhor”,
cumprindo assim o que escreveu São Paulo: “Para que ao nome de Jesus se dobre
todo joelho no céu, na terra e nos infernos” (Fl 2,10).
quinta-feira, 26 de dezembro de 2019
Medite sobre o amor de Maria e José pelo Menino Jesus
Por: Philip
Kosloski

Após o nascimento de
Jesus, seus pais o olharam com um amor que nós deveríamos imitar
O Natal é uma
oportunidade perfeita para usar nossa imaginação durante a oração.
Especialmente para os pais, pode ser uma experiência poderosa meditar no terno
amor que José e Maria tiveram pelo filho recém-nascido.
Em um livro de orações
do século XIX, o autor olha para o casal sagrado e pondera o que estava
acontecendo em seus corações. Primeiro, podemos imaginar o imenso amor que
Maria teve pelo menino Jesus:
É Jesus, o grande Deus
do céu, que veio viver e sofrer como uma criança pequena, para que possamos ver
o quanto Ele nos ama e como deseja estar conosco.
Ele não está sozinho.
Uma jovem e gentil mãe se inclina sobre ele. Seus olhos estão cheios de amor e
adoração.
Uma mãe terna e
vigilante.
A Terra nunca viu uma
mãe assim. Nunca pode haver outra igual a ela, tão pura, tão santa, como uma
flor de lírio branco e impecável entre os espinhos escuros da terra.
Ela não tem lugar
melhor nesta noite para colocar seu bebê recém-nascido.
É Maria, nossa Mãe
Maria.
Sua e nossa mãe para
sempre.
Depois de meditar sobre
o amor que Maria tinha por Jesus, podemos voltar nossos pensamentos a José e a
toda admiração que ele deve ter sentido:
Um homem sério e
pacífico os vigia, calmo no meio de toda essa cena de pobreza.
Nada pode perturbá-lo,
nada o assusta, pois seu coração pertence a Deus, àquela criança cujo pai
adotivo ele é a partir de agora.
É José, nosso querido
São José.
José deve ter tido
muito o que contemplar naquela noite de Natal. Ele nunca esperava ser o
pai-guardião do Messias.
É providencial que a
época do Natal tenha uma “oitava”, oito dias durante os quais a Igreja celebra
o dia de Natal, refletindo sobre os muitos mistérios revelados naquela noite.
Para nós, vamos tentar
lembrar a noite de Natal e meditar sobre os santos pais de Jesus, colocando-nos
com eles, até segurando o Menino Jesus em nossos próprios braços. Que a paz que
eles sentiram esteja conosco e, esperançosamente, permaneça conosco pelo resto
do ano.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2019
Novo filme de Terrence Malick é uma lição de resistência à pressão dos colegas
Michael Rennier

“Uma vida oculta” é a história inspiradora de Franz
Jagerstatter, cuja coragem e integridade podem ajudar a moldar-nos
Onovo filme de Terrence Malick, A Hidden Life (Uma vida
oculta/Uma vida escondida), lançado nos cinemas este mês, é baseado na história
real do beato Franz Jagerstatter, um agricultor austríaco, casado e pai de três
filhos, que foi recrutado como soldado do exército alemão em 1943.
Mesmo que os horrores dos campos de concentração nazistas
ainda não haviam sido revelados, ele tinha certeza de que a guerra estava
errada. Pior ainda, todos os soldados do exército eram obrigados a prestar
juramento de lealdade a Hitler.
Franz estava disposto a encontrar uma maneira de servir no
exército, se fosse necessário, talvez num hospital, mas estava absolutamente
decidido que não juraria lealdade pessoal a Hitler. No filme, enquanto os
homens se alinham à esquerda e à direita diante do comandante, levantam a mão
direita e fazem um juramento, Franz permanece com os dois braços ao lado, os
lábios imóveis. Ele não trairá suas convicções internas. Por sua coragem, ele é
jogado na prisão e, depois, executado.
Depois de assistir ao filme, fiquei refletindo muito. Tenho
uma mente independente e autoconfiante em relação ao certo e ao errado, mas
teria sido tão íntegro quanto Franz?
Pensei ainda: como tenho reagido à pressão dos colegas?
Olhando para trás, é fácil afirmar que eu teria agido como Franz, que todos
sabiam que Hitler era mau e que ninguém com um pingo de fibra moral teria
cooperado com ele.
Mas aqui está o que me incomodou: tenho certeza de que eu
teria prestado juramento. De alguma forma, eu teria me convencido de que era
justificável, que estava fazendo isso pela minha família, que não havia
problema em mentir para homens maus, que eu estava sendo forçado a fazê-lo e que
não era minha culpa.
Na aldeia de Franz, St. Radegund, todos os outros juraram e
lutaram pelos nazistas. Seus vizinhos não eram homens maus, estavam apenas
tentando sobreviver, mas a cumplicidade deles deixou Franz isolado e sozinho.
No filme de Malick, enquanto Franz debate se vai prestar
juramento ou não, ele está sujeito à pressão dos colegas em todas as direções.
Seus amigos dizem que ele será executado e deixará seus filhos órfãos – ele
estaria abandonando sua família, dizem eles.
O prefeito argumenta agressivamente que ele está
envergonhando toda a vila. Amigos e vizinhos se voltam contra ele, zombam dele
e evitam-no. Na prisão, ele é repetidamente interrogado e pressionado a mudar
de ideia. Eles dizem que sua postura moral não tem sentido, que ele perderá a
vida por nada e que tudo o que precisa fazer é prestar juramento e dizer
algumas palavras insignificantes para ser libertado. Até o próprio advogado que
o defende no julgamento militar tenta forçá-lo a mudar de ideia.
Tenho certeza de que toda essa pressão afetou Franz. A
pressão dos colegas não funciona apenas em crianças em idade escolar; os
adultos são influenciados diariamente. Há pressão para ter um casamento
perfeito, uma casa digna de uma revista, uma carreira de sucesso. Há pressão para
nunca questionar as normas sociais, seguir o fluxo e não causar problemas.
Qualquer pessoa que vote no político errado ou expresse uma opinião antiquada –
mesmo que seja algo que todos acreditamos há alguns anos atrás – pode ser
evitada ou ridicularizada.
Isso pode ocorrer de várias maneiras. Na minha própria vida,
por exemplo, não como carne às sextas-feiras, pois ainda é uma prática
penitencial normativa para os católicos. Até isso causa uma pressão sutil dos
colegas, porque eu tenho que escolher restaurantes específicos se encontrar um
amigo na sexta-feira e, ocasionalmente, chego a um jantar de sexta-feira à
noite apenas para parecer rude por não comer.
Eu também sou pai de seis filhos e há pressão dos pais de
todos os cantos. As crianças não praticam esportes o suficiente, não têm as
roupas certas nem os eletrônicos mais novos, são muito restritas em quais
filmes podem assistir e com quem podem brincar… isso continua e continua. A
pressão dos colegas geralmente não é explícita, mas existe muito e é uma
poderosa influência em nossas decisões.
Como podemos resistir?
Primeiro, precisamos estar cientes de como a pressão dos
colegas está nos afetando. Estamos sendo indevidamente influenciados por outros
a ponto de estarmos sendo falsos em nossa própria consciência?
Isso pode acontecer facilmente, porque na verdade existem
dois fatores na tomada de decisões: um processo racional, pelo qual logicamente
pensamos em nossas decisões; e um componente emocional, que está diretamente
conectado à nossa sensação de bem-estar.
Basicamente, quando tomamos uma decisão que nos ajuda a nos
encaixar em um grupo, nosso cérebro libera uma substância química chamada
dopamina, que nos faz sentir calmos. Isso é particularmente forte no cérebro
dos adolescentes, mas também afeta os adultos. Ela fornece forte motivação para
tomar uma decisão simplesmente porque assim a pessoa se sente bem.
Quantas vezes decidimos fazer algo apenas pela influência de
outra pessoa? Precisamos entender como a pressão dos colegas atua em nosso cérebro
e desenvolver um forte senso de autoestima e confiar em nós mesmos. Franz
Jagerstatter levou um tempo para refletir sobre sua decisão. Ele sabia que
estava certo e se recusou a deixar alguém convencê-lo disso. Ele não era um
homem teimoso e de mente fechada. Ele discutiu sua decisão com a esposa, por
exemplo, mas nunca permitiu que o impulso emocional superasse a razão e seu
compromisso de fazer o que sabia ser o certo.
Todos estamos sujeitos à pressão dos colegas e não há como
escapar dela (embora possa ser aconselhável riscar as pessoas prejudiciais de
nossas interações diárias). O mundo é um lugar maravilhoso, e a diversidade de
nossas opiniões, a maneira como influenciamos e ensinamos uns aos outros pode
ser realmente bonita.
Acho que nenhum de nós gostaria de estar totalmente isolado.
Mas viver em sociedade significa que nos depararemos com a pressão dos colegas.
O beato Franz Jagerstatter nos mostra como podemos enfrentar isso.
No final, Franz morreu com a morte de um mártir, mas, ao
contrário do que todos disseram, ele não foi esquecido. Ele não só foi
beatificado pela Igreja – um passo importante na canonização de um santo – como
também virou filme sob as mãos de um dos diretores mais talentosos de nossa
época.
Acontece que fazer a coisa certa, ser fiel a si mesmo e
proteger sua integridade pessoal são qualidades altamente valorosas. Aqueles
que resistem à pressão dos colegas, ao que parece, são as pessoas que mudam o
mundo.
domingo, 15 de dezembro de 2019
BloggerFlix - À Procura Da Felicidade
Um filme Inspirado em uma história real, À procura da felicidade narra
a trajetória de Chris Gardner, um pai de família que passa por problemas
financeiros e é abandonado pela esposa.
Interpretado por Will Smith, Chris se vê na posição de pai
solteiro e precisa cuidar de seu filho, Christopher, de cinco anos.
Ele consegue um estágio em uma corretora de ações devido à
sua habilidade como vendedor, mas o trabalho não é remunerado.
Com tantos problemas financeiros, Chris e o filho são
despejados e passam a viver em abrigos, banheiros públicos e estações de metrô.
Chris, no entanto, nunca abandonou a motivação para mudar a
sua realidade.
O filme de superação conta a trajetória dele até se tornar um
milionário, atuando como corretor da bolsa de valores.
sexta-feira, 13 de dezembro de 2019
A Trindade - Capitulo II - O procedimento neste estudo sobre a Trindade

Considerando o precedente, com a ajuda
de nosso Deus e Senhor e conforme nossa capacidade, empreenderemos a tarefa que
nos pedem, e assim demonstraremos que a Trindade é um só e verdadeiro Deus, e
quão retamente se diz, se crê e se entende que o Pai, o Filho e o Espírito
Santo possuem uma só e mesma substância ou essência.
Assim não poderão
afirmar, por assim dizer, que enganamos os adversários com nossas pretensões.
Mas que se convençam pela própria experiência de que existe aquele sumo Bem, só
visível às mentes muito puras.
E se eles não podem compreender, é porque o
limitado olhar da inteligência humana não é capaz de se fixar nessa luz
sublime, se não for alimentado pela justiça fortalecida pela fé.
Primeiramente,
porém, é preciso demonstrar pela autoridade das santas Escrituras, a certeza de
nossa fé.
Em seguida, se Deus assim quiser e ajudar, atenderemos a esses
gárrulos raciocinares mais cheios de si do que capazes, vítimas de um mal
deveras perigoso, a fim de que encontrem uma doutrina da qual não possam
duvidar.
Se não quiserem se convencer,
queixem-se antes da debilidade de suas mentes do que da verdade, ou mesmo da
nossa argumentação.
Se neles ainda restar algum amor ou temor a Deus, retornem aos
princípios e à ordem da fé, e assim experimentem a saudável medicina dos fiéis,
existente na Igreja, de modo que uma piedade autêntica cure a mente doentia
incapaz de perceber a verdade imutável, e leve a evitar que a temeridade
desregrada os faça emitir opiniões maldosamente falsas.
Não me cansarei de procurar,
se tiver alguma dúvida; e não me envergonharei de aprender, se cair em algum
erro.
Para melhor compreensão
do capítulo II leia o capitulo I: Clique Aqui - A Trindade - Capitulo 1 - Precaução contra os hereges. A verdadeira imortalidade. A fé e a compreensão das coisas divinas
Referências: Patrística
- Santo Agostinho - A Trindade - Vol. 7. Editora Paulus.
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