sexta-feira, 6 de março de 2026

REFLEXÃO — “O Homem é Capaz de Deus”

Há uma verdade silenciosa que percorre toda a existência humana, mas poucos têm coragem de encarar: o homem é capaz de Deus. Não porque seja grande, mas porque Deus, sendo infinito, escolheu fazer-se pequeno o suficiente para caber dentro do coração humano.

Como diz o Catecismo: “O desejo de Deus está inscrito no coração do homem.” (CIC 27). Em cada alma, mesmo na mais ferida, mesmo na mais perdida, há um ponto de luz que nada pode apagar. Esse ponto não é apenas uma centelha: é o próprio Deus invisível, que se torna visível em nós quando permitimos que Ele respire através do nosso ser.

Santo Irineu ilumina esse mistério: “A glória de Deus é o homem vivo.” A mente tenta explicar esse mistério e sempre fracassa. Mas o espírito — este sim — reconhece, intui, sabe. Sabe que fomos feitos para mais do que a matéria. Sabe que existe algo em nós que não pode morrer, porque nasceu do Eterno.

Sabe que existe um chamado que não vem de fora, mas de dentro, do lugar onde o divino repousa em silêncio.

Santo Agostinho descreve essa inquietação do espírito com perfeição: “Inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em Ti.” O homem é capaz de Deus porque foi moldado à Sua imagem. E cada vez que amamos, perdoamos, acolhemos, servimos ou nos ajoelhamos diante do sagrado, algo do invisível se torna palpável.

Como se Deus dissesse: “Deixa-Me aparecer em ti. Deixa-Me ser visto por meio do que você é.” Quando a alma desperta, ela entende que não existe distância real entre Criador e criatura. A separação está apenas na mente — nunca no ser. Por isso, o caminho espiritual não é uma busca externa; é um retorno, um desvelar, um reconhecimento:

Deus estava aqui o tempo todo. Eu é que estava ausente. E quando finalmente permitimos que o Invisível se torne visível em nós, descobrimos o maior milagre da existência: O homem não apenas é capaz de Deus. Ele foi criado para manifestá-Lo. Como ensina Santo Atanásio, ecoado pelo Catecismo: “O Filho de Deus se fez homem para que nós nos tornássemos participantes da natureza divina.” (CIC 460)  

O homem é capaz de Deus, porque foi criado com uma alma aberta ao infinito. No mais profundo do seu ser existe uma sede que nenhuma realidade criada pode saciar, senão o próprio Deus.”




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